15 julho, 2018

ENTREVISTA #35 | Autor Matheus Zucato


1 - Como você percebeu que queria ser escritor?
Quando comecei a ler os clássicos da literatura universal, em sua maioria de autores realistas, tive certa curiosidade sobre se me era possível também escrever uma história. Isso foi no fim de 2016 e durante 2017. Antes disso, eu havia escrito somente alguns contos, coisas bem simples, por simples vontade de expressar algum sentimento interno. Quando escrevi Os Dois Fazendeiros e vi que a galera gostou (e que eu gostei), decidi que queria ser escritor. Amo literatura.

2 - Tem algum personagem favorito? Em modo geral ou do seu(s) livros? Se sim, por quê? O que ele significa para você?
Não possuo um personagem favorito, mas posso citar alguns que marcaram minha vida: Marquesa de Merteuil (de As Relações Perigosas); Tyrion Lannister (de As Crônicas de Gelo e Fogo); Bartleby (de Bartleby, o Escrivão); K. (de O Processo); e Winston Smith (de 1984). Todos esse personagens possuem ou um dom extraordinário de perceber e entender (e até manipular) a mente humana, ou então conseguiram de alguma maneira escapar e emergir, nem que fosse por alguns momentos, da correnteza chamada "sociedade" que os envolvia. Eles são importantes para mim.


3 - Como foi para você, entrar no mundo literário e publicar seu primeiro livro?
Foi ótimo. Foi como aprender a andar de bicicleta. Você vê todos os dias pessoas andando, mas você não sabe como, até tentar e se equilibrar sobre ela. Com a literatura foi assim. Considerei o mercado atual (saturado) somado ao meu gosto pessoal, ou seja, eu não conseguiria (e nem tentaria) escrever uma história comum, considerada clichê. Aí coloquei toques reflexivos e um pouco de terror na história, e gostei dos resultados. Agora eu sei me equilibrar na bicicleta, mas tenho certeza que precisarei de inúmeros tombos para cada vez mais aperfeiçoar meu trabalho e alcançar algum patamar de notoriedade, contribuindo de alguma forma para a literatura nacional.

4 - Você faz muitas pesquisas antes de escrever uma história?
Sim, acho isso muito importante. Com relação a Os Dois Fazendeiros, por a história se passar toda num mesmo cenário, bastou imaginar alguma fazenda ou sítio que eu já havia visitado. Precisei sim pesquisar sobre música, sobre o clima sul-mineiro, e até mesmo sobre o tamanho que porcos podem chegar. Tudo para que não sobrasse uma referência equivocada. Fui muito ajudado pela minha família e amigos, e agradeço demais por essa ajuda.

5 - Existem muitas cobranças por parte de seus leitores?
A cobrança que mais recebi até hoje foi a de publicar uma continuação da história ou então uma nota esclarecendo seu final, haha! Também recebo cobranças dos leitores que querem adquirir um exemplar autografado. Mas para isso precisamos juntos esperar chegar para mim a próxima remessa de livros.

6 - Fale um pouco sobre sua forma de criação.. Tem alguma mania na hora de escrever?
Olha, minha forma de criação é totalmente inesperada. Para Os Dois Fazendeiros, por exemplo, a ideia me veio quando eu ouvi uma música sertaneja raiz, enquanto pegava carona, e pensei ''será que uma história sobre dois fazendeiros que querem assassinar um ao outro seria legal?". Então meu método não é sentar e quebrar a cabeça pensando no que escrever, ao contrário, já está tudo pronto quando decido sentar e escrever. É como abrir uma torneia e deixar a água escoar. Então gosto de andar por aí e deixar a criatividade fluir.
Tenho uma mania: preciso estar em silêncio e com as portas de meu quarto fechadas, para não ser interrompido. Além disso, gosto de ouvir músicas instrumentais durante a escrita. Ouço desde música clássica, passando por chorinho e música cigana tocada em sanfona. O fundo musical me ajuda a escrever com mais emoção.

7 - Quais são seus projetos para um futuro próximo?
Para o futuro próximo é isso: estarei na Bienal do Livro de São Paulo, no dia 04/08 as 14:30, no estande da Editora Autografia. Lá estarei autografando meus livros e trocando uma ideia com o pessoal. Além disso, já estou escrevendo mais histórias, e elas provavelmente entrarão num livro de contos. Também tenho uma história maior sendo escrita, uma ficção histórica. Por enquanto, são estes os meus planos.

Gostaria de deixar algum recado para os leitores do Lost Words, e para seus futuros leitores?
Aos leitores, agradeço muito pelo tempo e atenção dedicados à leitura dessa entrevista. Quero convidá-los a conhecerem meu livro "Os Dois Fazendeiros", a me adicionarem no Instagram (@matheus_zucato) e curtirem minha página oficial no Facebook (@matheuszucatoautor). Lá vocês terão mais informações, novidades e curiosidades a respeito do que publico, além de resenhas de meu livro e do que gosto de ler também.
Por fim, agradeço ao Lost Words pela oportunidade de conversarmos um pouquinho, e já me coloco a disposição para futuras conversas.
Obrigado a todos, e até mais!

Sobre o Autor:

Matheus Zucato Robert, nascido em Santa Bárbara D’Oeste (SP), em 1994, mas criado a vida toda em Monte Sião, no sul mineiro.
Leitor assíduo de clássicos da literatura, o autor é inspirado principalmente por autores como Kafka, Saramago, Machado de Assis, Choderlos de Laclos, Poe, Hermann Melville e William Golding.
Divide atualmente o tempo cursando Engenharia Hídrica pela Universidade Federal de Itajubá - MG, e escrevendo livros, dos quais publica seu primeiro: Os Dois Fazendeiros.




Sobre a Obra:

Sinopse: Dois velhos e viúvos fazendeiros, habitantes da pacata cidadezinha mineira de Caminho da Fé decidem encerrar de uma vez por todas uma disputa que estava adormecida há décadas: declarar o dono daquelas terras ao lado sul de suas fazendas.
Os filhos, desaparecidos ainda crianças naquele lugar, acreditavam que lá existia alguma coisa má. O livro mostra os relatos que ambos os homens escreviam naqueles dias, os quais estão recheados de batalhas psicológicas, terror, suspense e planos de assassinar um ao outro. Com um final intrigante e surpreendente, o livro não desaponta quem busca uma literatura diferenciada que prenda o leitor às suas páginas, buscando incessantemente pelo desfecho.





Beijos!

12 comentários:

  1. Acabei lendo uma resenha deste livro em outro blog que acompanho e fiquei muito curiosa em relação ao enredo. Por morar em interior, estas brigas acontecem até hoje sim e uma música raiz ter deixado essa sementinha de ideia no autor, foi maravilhoso!!
    Acredito que nossa literatura precise de mais e mais autores e que os blogs se unam em divulgar e espalhar esta ideia!
    Beijo

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  2. A diversidade de músicas que usa pra se inspirar e transmitir emoção é bem bacana e achei a entrevista dele interessante. Apesar de terror não ser um gênero que me atraia, desejo muito sucesso pra ele ;)

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  3. Apesar de nunca ter lido "As Crônicas de Gelo e Fogo" completo, tenho muito carinho por Tyrion Lannister também e penso o mesmo sobre ele: a capacidade de manipular e entender cada pessoa que ele troca uma palavra.
    Adorei a entrevista e sou bem curiosa para conhecer a história e entrar no mundo desses fazendeiros que parece ser muito envolvente.
    Beijos!!

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  4. Olá, o que dizer que um amor que gosta de 1984 e As Crônicas de Gelo e Fogo? É só amor, né? Enfim, eu também sou desses que aprecia um silêncio, pois perco a concentração muito fácil, imagino como deve ser para um autor na hora de colocar a historia no papel. Beijos.

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  5. O livro desse autor promete uma boa história, quero conhecer. Que bom que de um gosto por literatura surgiu a vontade de escrever, espero que continue a ir atrás de seus sonhos,desejo muito sucesso!!

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  6. Olá Aline! Matheus se inspira em grandes nomes de nossa literatura então com certeza suas histórias serão muito boas. Gostei das analogias que ele faz, principalmente a comparação entre a inserção na literatura e andar de bicicleta, foi algo que me tocou bastante. Achei bem inusitada a forma como surgiu a ideia para a história do livro. Espero que ele possa prosperar bastante nessa carreira. Beijos

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  7. Vejo que o autor se empenha e busca pesquisar, afinal, um livro é a fonte de conhecimento. É admirável o esforço do autor, pois não deve ser fácil estudar engenharia e escrever livros. Espero que consiga alcançar essa notoriedade que referiu :)

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  8. Achei o máximo a comparação do Matheus Zucato da entrada no mundo de escritor com o andar de bicicleta, gostei bastante, resumiu de uma forma bem simples o nosso sentimento. Incrível! Adorei sua obra.

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  9. Amo essas entrevistas. A forma de criação do autor é parecida com a minha (rs), ouço músicas instrumentais, sobretudo em violino quando vou escrever. Isso ajuda bastante. Desejo sucesso ao autor. Gostei bastante da sinopse de seu livro.

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  10. Oi,
    Vejo tantos autores que começam a escrever por conta de gostar de leitura, acho isso incrível!
    Amei como o autor descreveu esse processo de entrada no mercado literário, não poderia ser mais verdadeiro, admiro demais autores por isso, não é nada fácil.
    Aaaah, leitores, sempre cobranco continuações kkk
    Já passei a seguir o autor! ❤️
    Beijos

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  11. Eu já tinha visto algumas resenhas desse livro e já estava nos meus desejados. Mas eu não conhecia profundamente o autor. Adorei conhecer mais dele e de saiu essa história maravilhosa.

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  12. Aline!
    Cada entrevista que leio por aqui, me mostra o quanto nossos autores nacionais tem potencial e nada ficam a dever aos estrangeiros.
    Já tinha visto o livro em outros blogs, agora quero ler sua resenha.
    Bom final de semana!
    “O prazer dos grandes homens consiste em poder tornar os outros felizes..” (Blaise Pascal)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JULHO - 5 GANHADORES - BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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