1 - Qual foi sua inspiração para começar a escrever?
Eu comecei a escrever depois de sonhar com uma história. Foi ela que abriu uma porta e, através dela, veio uma vontade imensa de explorar outros temas, outras narrativas, outros livros. Desde então, nunca mais parei.
Tive outros sonhos que também se transformaram em histórias.
E, mais recentemente, até os sonhos do meu marido têm se tornado projetos futuros.
2 - Quais autores ou obras influenciaram seu estilo de escrita?
Tenho como referências na escrita Aline Bei e uma amiga querida, Driana Campos.
3 - Como você lida com o bloqueio criativo?
Gosto de deixar o texto repousar, como quem coloca os personagens de castigo por um tempo. Prefiro não forçar quando a escrita não flui; nesses momentos, eu paro e me volto para outro texto, outro trabalho. Estou quase sempre escrevendo alguma coisa, projetos curtos ou longos, porque as ideias nunca param de chegar.
4 - Quais desafios você enfrentou durante sua jornada como escritor(a)?
Meu primeiro desafio foi entender que nem todo projeto que escrevo vai se transformar em um livro físico.
Por muito tempo, carreguei comigo a ideia de escrever exclusivamente para o mercado editorial, onde o livro também é um produto, pensado para circular, ser divulgado, alcançar leitores.
Com o tempo, fui percebendo que existe todo um percurso além da escrita: estratégia, marketing, comunicação. E que essas etapas não diminuem o texto, elas o sustentam.
Aprender a lidar com isso tem sido um exercício constante: respeitar prazos, processos, datas… e, ao mesmo tempo, não perder a essência do que me move a escrever.
5 - Você já teve experiências significativas com seus leitores? Alguma história que gostaria de compartilhar?
Tive e algumas delas me atravessaram de um jeito muito bonito. Ao longo do caminho, fui sendo surpreendida por encontros que começaram como simples trocas e se transformaram em amizade. Pessoas que antes eram apenas colegas hoje ocupam um lugar afetivo na minha vida.
Recentemente, vivi algo que ainda ecoa em mim. Uma leitora que me acompanhava precisou de ajuda e, para mim, foi natural estender a mão. Como também escreve, sugeri que trocássemos leituras e avaliações na Amazon. Para minha surpresa, ela já havia lido dois dos meus trabalhos.
A sensação foi indescritível.
Não precisei pedir para ser lida, nem investir para alcançar alguém. Aconteceu de forma orgânica, silenciosa, verdadeira.
E a experiência foi além.
Um dos meus livros é infantil e ela fez exatamente o que eu sempre sonhei: leu a história com os filhos. Ver meu texto ganhar vida dentro de uma casa, atravessando outras vozes, outros afetos… foi algo que me tocou profundamente. Ela sabe o quanto sou grata, e o quanto seus relatos ficaram comigo.
Em troca, li o trabalho dela e me apaixonei. Agora, aguardo ansiosa pelo lançamento em agosto, com aquela alegria tranquila de quem torce de perto.
Também não posso deixar de mencionar todas as pessoas que me apoiam com resenhas, mensagens e carinho. Existe uma rede bonita se formando ao meu redor, feita de gente que soma, que ilumina, que não apaga a luz de ninguém.
E talvez seja isso que mais me emociona:
perceber que, no meio de tudo, a vida tem sido gentil comigo.
6 - Como é o seu processo de escrita? Você segue uma rotina específica?
Essa parte não tem roteiro. Escrevo quando o tempo se abre, nas brechas da rotina, nos intervalos quase invisíveis do dia. Já escrevi em todo lugar possível: no ônibus, no horário de almoço, no banco do carro, entre uma conversa e outra com meu marido. As ideias não avisam quando chegam e aprendi a não esperar o momento perfeito para acolhê-las.
Claro, eu gostaria de ter mais tempo. Quem sabe uma rotina mais definida, de preferência em silêncio. Mas, por enquanto, escrevo no meio do ruído: entre as reuniões do meu marido, o movimento da casa, os sons constantes da cidade grande que nos atravessa. E, de algum modo, é ali no meio do caos que as palavras encontram passagem.
7 - Qual é o impacto que você espera que suas obras tenham nos leitores?
Espero que minha escrita alcance o coração de quem lê.
Que toque, desloque, abra pequenas frestas por dentro.
Fico profundamente tocada quando recebo relatos de leitores que decidiram buscar terapia depois de um livro, como se a leitura tivesse acendido uma escuta mais atenta de si mesmos. É isso que desejo: provocar reflexão, sensibilidade, presença.
Seria triste imaginar que o texto passou sem deixar rastro. Para mim, escrever não é apenas contar uma história é atravessar alguém de algum modo, ainda que sutil, e permanecer ali, como uma lembrança que continua ecoando.
8 - Quais são seus planos para o futuro? Você está trabalhando em algum novo projeto?
Gostaria de deixar algum recado para os leitores do Lost Words, e para seus futuros leitores?
Meus dois projetos literários ainda são recentes. O baile de todas as máscaras foi lançado em dezembro de 2025, e A bolsa de Maria nasceu como uma homenagem ao Dia da Mulher.
Neste ano, vou à Bienal de São Paulo, será a minha primeira vez nesse espaço não só como leitora, mas também como autora. Um momento que, por si só, já carrega um significado especial.
Ainda para este ano, pretendo lançar uma antologia e também um conto de Natal, que já está escrito. Atualmente, estou trabalhando em um romance.
Ideias não me faltam, o que ainda busco é tempo para dar forma a todas elas.
Se eu pudesse pedir algo hoje, pediria uma chance de ser escolhida, de ser lida.
Estou no início da minha trajetória, construindo meu caminho palavra por palavra, com a delicadeza e a insistência de quem acredita no que escreve.
Trabalho para que minha voz encontre espaço, mesmo que ainda pequena em meio a tantas outras.
Sou, por enquanto, uma formiguinha, mas sigo, carregando histórias que desejam chegar até alguém.
Se, em algum momento, você cruzar com um dos meus textos, permita-se ficar um pouco.
Talvez ele também tenha sido escrito para você.
Sobre sua(s) obra(s):
Sinopse: Quantas versões de nós mesmos existem sob as máscaras que criamos?
Em O baile de todas as máscaras, a poesia se transforma em espelho, revelando segredos, verdades e pedaços de quem fomos antes de nos perdermos nas expectativas do mundo — refletindo quem somos e quem ousamos sonhar ser.
No conto Uma noite em Versalhes, o leitor desce à toca do coelho para um baile fantástico: um convite inesperado abre os salões de um palácio esplêndido e acende a busca, por entre as máscaras, por quem talvez seja seu par. Há noites que simplesmente não precisam acabar. - Compre aqui!
Sinopse: Maria vive os dias como quem sustenta o mundo em silêncio. Entre rotinas que não cessam, afetos que pedem cuidado e um corpo que guarda memórias, ela atravessa a vida aprendendo a existir para os outros antes de aprender a ficar em si.
Nesta novela literária intimista, o cotidiano se transforma em território emocional. O corpo feminino surge não como imagem, mas como história viva — marcado pelo tempo, pela maternidade, pelo trabalho e pelas escolhas que moldam quem somos quando ninguém está olhando.
Uma narrativa delicada sobre cansaço, pertencimento e a coragem silenciosa de se escutar. Um texto para mulheres que reconhecem, no próprio silêncio, a força de continuar. - Compre aqui!
Sinopse: Sem nome e sem passado, uma múmia vive em paz nas entranhas de um mausoléu, no alto, esquecido de um cemitério — até que risos e passos tocam o ferro do portão de sua morada. Ao lado de Talento, o gato que transita entre a superfície e as sombras, ela descobre que a tumba pode ser mais do que cela: é passagem. Um conto gótico de Halloween sobre o que a solidão guarda, o que a memória fabrica e o gesto mínimo capaz de acender luz na penumbra. - Compre aqui!
Sobre o(a) autor(a):
Alessandra Q. Giannetti iniciou sua jornada na escrita com O Baile de Todas as Máscaras, sua estreia como autora. A obra marcou o começo de um mergulho profundo na alma feminina, explorando papéis, silêncios e as máscaras que muitas vezes usamos para sobreviver.
Depois de conduzir esse baile poético e simbólico, Alessandra seguiu escrevendo e desenhando novos projetos — agora despida de máscaras e armaduras. Em um movimento corajoso e íntimo, veste a si mesma como protagonista de sua nova história: uma autoficção sensível e potente, escrita para tocar o coração feminino.
Sua escrita é um convite ao reencontro, à vulnerabilidade e à força que nasce quando uma mulher decide ser inteira. Uma homenagem às mulheres, à sua complexidade e à beleza de existir com verdade.
Beijos!





















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