11 fevereiro, 2018

ENTREVISTA #10 | Autor Lenmarck Andrade




1 – Como você percebeu que queria ser escritor?
Meu interesse pela literatura surgiu bem cedo. Quando criança, eu gostava de folhear qualquer coisa que tivesse palavras e figuras; minha mãe percebeu isso e direcionou meu interesse para coleções de livros infantis (principalmente contos dos Grimm, os quais amo até hoje) e achados de bibliotecas públicas, os quais ela emprestava com frequência. Começar a criar minhas próprias histórias foi um processo bastante orgânico, todavia houve um certo momento de epifania na minha infância em relação a escrita, quando na escola me pediram para escrever uma redação sobre as minhas férias. Acontece que as minhas férias tinham sido horríveis naquele ano, principalmente por muitos dos meus amigos terem viajado e eu ficado para trás. “Eu não vou escrever isso”, lembro de dizer para a professora. “Minhas férias foram muito chatas”. Ela me respondeu com uma simples colocação: “então escreva sobre como gostaria que tivessem sido suas férias”. Aquela frase me fez perceber como a ficção poderia tornar o mundo bem menos chato. Eu tinha 9 anos.

2 – Tem algum personagem que é seu favorito?
É bem difícil definir um personagem favorito entre os que eu tenha criado. Dediquei um bom tempo para cada um deles, e isso traz sempre um certo apego, mas é algo que deixo um pouco de lado quando parto para uma nova obra. Contudo eu gostei bastante de ter dado vida ao Alan em “Névoa”. O livro tem um ambiente sombrio e, em alguns momentos, até melancólico, e ele, apesar de toda a tragédia que envolve seu passado (e até o presente), consegue colocar um sorriso no rosto e fazer alguma piada de qualidade duvidosa em momentos oportunos ou não.

3 – Além da sua recente participação em antologia, você pretende publicar um livro solo por meio de editora?
Lançar um livro por uma editora tradicional foi um pensamento recorrente enquanto escrevia meu primeiro romance, mas isso mudou um pouco quando fui aprendendo mais sobre o mercado. Não é que eu não queira lançar por editora, inclusive pretendo, mas é difícil embarcar nesse mundo sem um reconhecimento prévio. No quadro atual, enviar originais por editoras afora não tem muita efetividade se você ainda não conseguiu algum reconhecimento de forma autoral. Por isso, nesse momento, estou focado em pesquisar, estudar, escrever e conseguir mais público. Estou tendo um feedback cada vez melhor de leitores, então acho que estou no caminho certo.

4 – Existem muitas cobranças por parte de seus leitores?
Felizmente as cobranças têm sido cada vez mais recorrentes. 2018 está sendo incrível para mim nesse contexto, onde várias resenhas das minhas obras vem surgindo, assim como novos leitores brotam de onde menos espero e começam a acompanhar não só minha escrita como alguns projetos paralelos: desde lives sobre assuntos literários no Instagram até podcasts com a mesma temática, que tenho gravado em parceria com o autor Fábio de Andrade (já entrevistado aqui). Adoro quando os leitores me abordam nas redes sociais e sempre incentivo para que o continuem fazendo.

5 – Você faz muitas pesquisas antes de escrever uma história?
Sim. Alguns textos pedem mais pesquisa que outros, mas ela sempre está presente como uma etapa fundamental do processo de escrita, ao lado de uma boa estruturação narrativa e do desenvolvimento bem planejado de personagens.

6 – Por qual motivo escolheu o gênero terror? Se arriscaria em escrever algum outro gênero?
Eu não me considero um escritor exclusivamente de terror. Acho que muitas pessoas pensam isso de mim devido o contato com “O Corvo do Inverno”, um conto de terror que muitos usam como porta de entrada para as minhas obras. Névoa, por exemplo, não é um livro de terror, mas um romance de ficção fantástica, mais especificamente baixa fantasia. Todavia o gênero do terror é muito subjetivo, e o que ele simboliza pode variar muito de pessoa para pessoa. Porém, gostaria de ressaltar que um gênero que estou me preparando para encarar, talvez um pouco mais fora da minha área de conforto, é a ficção científica.

7 – Quais são seus projetos para um futuro próximo?
Ganhei uma certa notoriedade como contista, por isso fui convidado para participar de duas antologias bastante peculiares esse ano. Espero poder falar mais sobre elas em breve, mas já adianto que uma delas tem como tema literatura pulp e a outra terror regional. Também estou em fase de pesquisa para um novo romance e estou experimentando algumas misturas de gêneros. Provavelmente vou lançar alguns contos ao longo do ano com base nesses experimentos.

8 – Gostaria de deixar algum recado para os leitores do Lost Words, ou acrescentar algo que não foi questionado?
Primeiramente gostaria de agradecer pelo convite para participar dessa entrevista. Adorei as perguntas e admiro a dedicação do Lost Words em divulgar autores nacionais. Obrigado mesmo. Por fim, gostaria de convidar os leitores do blog para conhecerem um pouco mais do meu trabalho e dizer que estou aberto a dúvidas, críticas e elogios nas minhas redes sociais. Um forte abraço para todos!  

Sobre o Autor:

Lenmarck Andrade, 24 anos, vive em Belém (PA) e é apaixonado por criar novos mundos, sem nunca esquecer o seu próprio. Acredita no poder da ficção para contar histórias reais e que nem todos os corvos são mentirosos. É autor do romance "Névoa" e outros contos espalhados pela internet, onde extrapola os subgêneros da ficção sempre usufruindo do caráter psicológico de seus personagens.


13 comentários

  1. Olá Fernando,
    Não conhecia o autor, mas gostei da entrevista e conhecer um pouco dos sobre como ele começou a se interessar pela escrita.
    Pretendo ler algo dele para conhecer o trabalho dele

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  2. Sou de Belém e já conhecia o autor.
    Inclusive, já li todas as suas obras. Com exceção de Névoa, que estou finalizando.
    Recomendo muito!
    Gostei das perguntas. Não foram superficiais.
    Um beijo!

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  3. Não conhecia o autor, achei bem bacana a entrevista e sua obra parece ser interessante!! Gosto quando podemos conhecer mais sobre os autores nacionais!!

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  4. Oi Fernando.
    Eu não conhecia o autor, então foi bem bacana ler a sua entrevista e saber um pouco mais sobre ele.
    Não sou muito fã do gênero terror nem de contos. Mas gostei da premissa de Névoa. Vou procurar e espero gostar.
    Beijos

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  5. Eu amo demais conferir resenhas de escritores, pois temos a oportunidade de saber mais a fundo de como surgiu a vontade de escrever e seus medos e sonhos. Apesar de ainda não ter tido a oportunidade de ler nada do autor, adorei saber mais sobre ele e que desde cedo foi estimulado pelos pais e pela escola para escrita. Espero poder ler algo dele em breve! Excelente entrevista!!

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  6. Olá!
    Parabéns ao autor por se dedicar a algo tão bonito que é a escrita, sabemos que o meio literário no mercado nacional não é nada fácil.
    Não conhecia o trabalho dele, mas curti a entrevista e vou buscar saber sobre seus livros, pena que não gosto mto de contos, então espero que venha um livro solo por ai..
    Beijos

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  7. Belém *---* Meu conterrâneo. Adorei a entrevista, vou ler pelo resta da vida tudo que ele falou. Show.

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  8. Olá <3
    Conhecia o autor, mas só de nome mesmo, nunca tinha visto muita coisa dele. Confesso que como escritora me identifiquei com algumas respostas, e concordo com o fato que o mercado editorial não é fácil.

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  9. Oie! Eu não conhecia o autor, mas já amei o gênero que ele escreve e estou pesquisando. Acho que seria super legal acrescentar uma pergunta sobre como é a rotina dele como escritor, sabe? Ajuda a gente entender um pouquinho mais da rotina e da personalidade, ajudando até entender mais esse universo.

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  10. Não conhecia o autor, mas curti muito os títulos das obras e já gostei da escrita dele respondendo às perguntas, sem falar que ele tem uma história bem parecida com a minha com a literatura. Vou procurar me informar mais sobre as obras. Preciso parabenizar o blog pela iniciativa de divulgação dos autores nacionais. Acho isso muito importante e indispensável pra que eles sejam valorizados e reconhecidos como merecem.

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  11. Parabéns pela entrevista, adorei todas as perguntas e respostas, ouvi falar muito do trabalho dele, pretendo muito ler alguma ou todas as obras dele futuramente.

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  12. Oi Fernando
    Não conhecia o autor, mas adoro quando blogs dão oportunidade assim para os autores e a literatura nacional, você e a Aline estão de parabéns pela atitude.
    A entrevista está muito boa, eu adoro saber sobre inspirações. Grimm :D
    Bjins

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