02 maio, 2018

ENTREVISTA #23 | Jacinto Júnior



1 - Como você percebeu que queria ser escritor?
Sempre gostei muito de ler e de escrever, desde pequeno. Lembro que em algum aniversário do meu pai, em que eu ainda não compreendia que só ele deveria ganhar presente e chorava por isso, minha mãe me trouxe um box de livros de contos de fadas ilustrados com bonecos de massinha para me consolar. Claro que adorei! E, por muito tempo, guardei-o até que os livros ruíssem todos. Depois, eu escrevia para controlar minha imaginação - sério, foi uma forma de controle mesmo, porque eu saía na rua falando sozinho, brandindo espadas invisíveis, meu irmão sempre me enchia o saco sobre isso -, era uma história sobre guerras na China - sou um viciado em Dynasty Warriors, quem conhece? -, e assim foi até que fiquei sabendo da existência de uma coisa chamada “Escritor”. Até então, nunca tinha parado para pensar que tudo que eu lera era fruto da criação de alguém. Foi epifânico, não há como descrever de forma distinta. Daí em diante, tudo que eu quero - além de ser uma mulher gigante - é ser essa coisa chamada Escritor. 
Talvez eu tenha conseguido, né? 

2 - Qual de seus personagens é seu favorito? Por que? O que ele significa para você?
Eita. Essa é um pouco mais difícil que a anterior, né? Hahaha.
Bom, acho que, em “Os dois, nós três”, minhas personagens favoritas são Amanda e Natasha.
A razão de eu amar Amanda, é que, entre os três, ela foi a personagem que mais cresceu dentro do romance. Dentro e fora, aliás. Lembro meus primeiros rascunhos, em que Amanda era completamente diferente do que vocês irão ler, e essa, meu deus, embora eu seja inseguro com o que escrevo, posso dizer que estou muito, muito satisfeito com ela.
Agora, vamos para a personagem mais badalada das terras alencarinas: Natasha Lira Lobo - esse é seu nome completo, aliás. O motivo é o mesmo que espero partilhar com vocês quando lerem: Natasha é completamente linda, livre, leve e solta - quase uma Pabllo Vittar -, tem uma visão completamente cheia de glitter das coisas, e isso é mágico! Sim, continuo com minha descrição: A essência de Natasha é mágica! Espero conseguir mostrar isso para vocês. 

3 - Foi difícil chegar até uma editora e publicar o seu livro? Conte um pouco dessa experiência no mercado editorial.
Olha, para ser franco, a produção de Os dois, nós três foi muito mais difícil do que exatamente achar uma editora para ele. Além da Skull, eu recebi proposta de mais duas editoras: uma daquelas que cobram quase o valor de um Ford KA para publicar, e outra foi uma editora de menor porte. A recepção inicial que tive da Skull, posso dizer, foi determinante para que eu resolvesse assinar meu contrato.
Se posso dar um conselho dessa minha curta trajetória no mundo editorial, é que, mesmo conhecendo a avidez e ansiedade que nós, escritores, tendemos a ter para publicar nossos escritos, pesquise muito bem a casa editorial em que você está entrando. Cuidado para não ser “avexado” - gíria cearense para apressado - demais e acabar se metendo numa enrascada.

4 - Já obteve algum feedback por parte de seus leitores? Como está sendo a repercussão de “Os dois, nós três”? 
Já sim: três pessoas arrancaram seus olhos, duas me processaram e uma disse que contrataria um pistoleiro para me pegar!
Hahaha
Não, brincando (Espero!). Recebi sim, e meu Deus, como foram feedbacks maravilhosos! Eu acredito ser uma pessoa super acessível no Instagram - fica dica aí pra quem quiser me mandar nudes! rs -, e sempre que me marcam dizendo que estão lendo, ou quando terminam suas leituras e vêm conversar comigo, eu super pergunto o que elas acharam/estão achando, e tenho recebido muito carinho que me é extremamente reforçador! Sério! Porque quando são pessoas conhecidas, você fica meio desconfiado (Será que eles tão falando a verdade ou só não querem me deixar triste?), mas quando são pessoas que você sequer conhece, as quais não têm razão para querer agradá-lo, elogiando, comentando, falando entusiasmadas sobre os pontos que mais gostaram - por alguma razão, sempre costumam me xingar quando falam de um evento envolvendo uma mensagem de celular -, é uma sensação indescritível, inefável. 
É algo que transcende a satisfação de ter feito um trabalho árduo que durou anos!
Obrigado, vocês são maravilhosxs! <3 

5 - Você faz muitas pesquisas antes de escrever uma história? Qual seu processo para a elaboração do romance?
Para “Os dois, nós três” eu não precisei fazer tantas pesquisas, uma vez que se passa na minha badalada cidade de FortalCity (Fortaleza). Os lugares visitados pelos três são os lugares que já fui ou que frequento assiduamente - aliás, se vocês vierem por aqui, me chamem pra tomar um litrão! 
Não posso dizer a mesma coisa dos meus futuros projetos.
Todavia, eu sou uma pessoa que é obsessiva com detalhes e busca programar coisas o máximo que posso. Eu costumo ter cadernos com anotações de background, detalhes que fogem à narrativa… Por isso, como disse uma vez na entrevista pro Padcast 3 Segundos - recomendo, é um podcast ótimo! -, sabendo essa informação que sou meio obsessivo por detalhes e programação, mesmo se uma coisa soar meio fora do comum ou maluca, acredite, ela tem uma razão para estar lá.

6 - Por qual motivo escolheu o tema romance poliamor? 
Por eu acreditar ser um tema pouco explorado na nossa arte. Claro, existem obras brasileiras que tratam de poliamor, como o filme “Os 3” - o qual descobri muito tempo depois de ter começado o projeto, lá em 2011 - e o romance “O Terceiro Travesseiro” - cuja existência também só conheci após o início de “Os dois, nós três”. Inclusive, Anderson Soares, prometo devolver teu livro um dia, tá bom?! hahaha -, acredito que a escolha foi justamente por sentir essa carência de representatividade de amores fora do padrão monogâmico. Por mais que eu buscasse, simplesmente, não conseguia encontrar. 
Não existe apenas uma forma de amar que vale a pena, e talvez, esse seja um dos principais cernes do livro. 

7 - Quais são seus projetos para um futuro próximo? Pretende lançar mais livros?
Olha! Tenho sim, tenho muitos projetos. Para falar a verdade, de acordo com o último censo realizado pelo IBGE, eu devo ter por volta de dez livros vindo por aí. Claro que muitas variáveis vão ser determinantes sobre se eu vou lançá-los ou não, a candidatura de um falso mito e a instalação de uma ditadura, por exemplo, são duas delas, isso se, claro, eu não cair na completa desgraça de um romance falido. Sempre tenho medo de todas essas variáveis!
Mas, vamos ver o que o futuro nos guarda, não é? Quem sabe eu abra alguma caixa para ver o que sairá de dentro!

Gostaria de deixar algum recado para os leitores do Blog, e para seus futuros leitores?
Primeiramente: Fora Temer, hoje e sempre - a luta não para!
Eu gostaria de agradecer pela oportunidade do espaço que me foi dado. É muito difícil ser um escritor nacional, mas, se eu não estiver sendo otimista demais, vejo que esse cenário está mudando e cada vez mais observo um movimento de valorização das nossas produções nacionais e, poxa, isso é muito incrível! Esse espaço que me está sendo dado, um escritor desconhecido, é uma forma maravilhosa de ajudar a nós, escritores, a ter um pouquinho mais de visibilidade - que, para mim, já é muita coisa. Então, de verdade, obrigado!
Queria agradecer também aos meus leitores e seguidores do instagram por todo o apoio e ânimo que me deram e continuam me dando! Sério, isso é demais! 
Espero que “Os dois, nós três” possa fazer a todos aqueles que conheceram Amanda, Douglas e Lucas, pensarem um pouco mais sobre as pressões que sofremos da sociedade diariamente e que possam se sentir mais livres na sua existência: sim, podemos viver fora de um padrão cansado e imposto; e o melhor de tudo, isso é tão válido quanto qualquer outra coisa!
Também queria desejar forças ao meu Ex, e que sua situação seja resolvida da melhor forma possível. Todos nós sentimos sua falta!
Ademais, queria completar com mais algumas palavrinhas: Pateta! Chorão! Destabocado! Beliscão! Obrigado.

Sobre o autor:

Cearense, ainda não javanês, estudante de psicologia, é amante de literatura, filmes de terror, música, comida e aventuras; também, devoto de Magnus Bane, fantasia, liberdade e glitter, muito glitter. Escritor do romance "Os dois, nós três", muito cedo começou a escrever, e o que eram apenas rabiscos disformes, tornaram-se histórias e sonhos. Morre de medo de Alienígenas, Aranhas e do Temer - do último, mais do que dos outros dois. Embora prefira escrever fantasia - tendendo um pouco para o sombrio -, arrisca-se a ainda a rabiscar coisas avulsas e sem elementos fantásticos. Devorador ávido de livros, seus escritores favoritos são: Machado de Assis, Luis Fernando Verissimo, José de Alencar, J. K. Rowling e Cassandra Clare.



Sobre sua obra:

Um acabou de se mudar de Santa Catarina para Fortaleza, ama literatura e é filho de advogados. Ela é a mais centrada, filha de uma psicóloga, queria se dedicar unicamente ao vestibular para passar em Medicina. O outro ainda não sabe bem o que quer para o futuro, é louco por música e superansioso. Embora pareçam histórias distintas de adolescentes, os três têm algo importante em comum: cada um está completamente apaixonado pelos outros dois.

24 comentários:

  1. Que legaaal essa entrevista, pude conhecer o autor e fiquei interessada em ler :D

    http://submersa-em-palavras.blogspot.com.br/

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  2. Oi, Fernando.

    Assim como o Jacinto, acho que às vezes, todos nós, leitores, deixamos a imaginação fluir à solta, e descobrimos o amor não só pelas leituras, mas pela escrita também.

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  3. Annyeong, Fê!
    Eu sigo o perfil do livro e achei bem fofinha e amorzinho a capa, mas eu não fazia idéia do que se tratava a história. Vendo a entrevista agora já fiquei interessada no livro, as vezes é bom sairmos da zona de conforto. E eu amei conhecer o autor. Gosto muito quando você postam entrevista com autores nacionais que até então era desconhecido para mim. Bjs

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  4. Eu realmente só tenho a agradecer pelo espaço que me foi dado! Sério!

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  5. Geente, ele mexe com um gênero totalmente diferente de tudo o que já li!! Adorei a entrevista e gostaria de procurar mais a respeito de Poliamor que é um gênero que não sei muito a respeito. Gostei muito dele e adorei seu senso de humor kkkkkkkk MUITO SUCESSO PRA TIII MOÇO, ESTOU ANSIOSA PARA CONHECER SUA OBRA !!! FORA TEMER NÉ!!!

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  6. Já fiquei louca para ler esse livro! E QUE SE PASSA NA MEU NORDESTE! Eu nunca li nenhum livro com a temática do poliamor, mas quero ler sim, para entender mais sobre o assunto. Parabéns, Jacinto, sucesso!

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  7. Olá! Não conhecia o livro nem o autor, mas amei essa entrevista. Pelo jeito dele dar as respostas, já me senti cativada em ler o livro e entrar nesse mundo.
    Aliás, nunca li nenhuma história que envolve o poliamor, mas já me interessei muito também. Com toda essa "passagem" que ele teve até conhecer o mundo dos escritores, tive certeza que ele nasceu pra isso - falou a pessoa que não sabe o que quer da vida e sempre está falando sozinha hahahaha.
    Adorei a entrevista e desejo tudo de bom ao autor! Bjs <3

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  8. A uns 3 anos, eu venho aprendendo admirar muito autores brasileiros. Acho muito legal e de suma importância, o blog estar direcionando essa atenção para um dos nossos escritores brasileiros, que são muitas vezes desconhecidos. Não tinha tido a oportunidade de conhecer o livro de Jacinto Junior, parece ser uma obra bem interessante, principalmente por que o livro aborda o poliamor. Com toda a certeza, vou colocar o livro na minha listrinha de livros a ser lidos em 2018.

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  9. Nesse tempo todo como leitor, eu nunca li um livro sobre poliamor. Sério. Mas também não é por falta de procurar, eu adoro o tema, e imagina minha felicidade quando descubro que tem um escritor brasileiro (do meu país Ceará!) que escreveu sobre isso. Parabéns por ter conseguido publicar seu livro, eu também estou escrevendo um livro com uma das personagens adeptas ao poliamor (na verdade estou mais para PENSANDO em escrever, do que escrevendo em si). Aliás, parabéns também pelo bom gosto em relação às leituras :P
    Sucesso!

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  10. Olá! Nossa adorei a entrevista! Me identifiquei na parte de falar sozinho (quem nunca, né). Imagino as dificuldades em arranjar uma editora, conheço histórias de amigas que só pela misericórdia. O livro aborda um tema até então, pouco explorado na nossa literatura, acho muito válido e já estou curiosa para saber um pouco mais sobre a história. Recado dado, parabéns pela conquista e que venham mais e mais livros, muito boa sorte para você e forças para o ex.

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  11. Nossa! Amo descobrir livros nacionais! E, só de ler a entrevista, já fiquei com vontade de ler esse livro! Gente, amei as respostas do autor e já simpatizei demais com ele (Já quero conhecer essa pessoa!!). E o que mais me deixou louca para ler esse livro foi o fato de abordar o poliamor!! Nunca chequei a ler um livro com essa temática(por nunca ter encontrado), mas adoro!!

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  12. Adorei a entrevista...ele é super espontâneo e me deixou com uma vontade imensa de ler seu livro ksks
    Me identifiquei TOTALMENTE na parte que ele fala que conversava sozinho (faço isso sempre kkkkk)
    E pra falar a verdade,eu AMO autores nacionais pq eles criam os melhores personagens ❤

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  13. HAHAHAHAHAH, EU AMEI MUITO A HISTÓRIA DO ANIVERSÁRIO. Que dó! Ainda bem que a mãe dele comprava presente pra ele também.

    Que livro diferente, né? É pouco explorado mesmo esse tema e ainda é um grande tabu. Eu amo romances assim que retratam amores fora do padrão, tipo Simon vs a Agenda Homossapiens e Todo Dia.

    Achei esse autor uma fofura de pessoa, super engraçado e o livro dele deve ser excelente também. Já to ansiosa pela resenha, hahaha.

    Beijos

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  14. Amo quando tem entrevistas nos blogs, amo conhecer autores brasileiros e o que estão fazendo. Achei a capa bem fofa com uma temática diferente e bem agradável. É um livro que se eu tiver a oportunidade vou ler.

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  15. Pode ter certeza que vou seguir cada passo do escritor a partir de ontem! Fiquei apaixonada pela entrevista, e as respostas foram ótimas! Já adquiri esse novo bloco de entrevista para meu IG, apesar de não ter sido algo que teve um grande retorno, mas é extremamente importante, pois além de conhecer mais sobre o entrevistado como pessoa e seu trabalho, é a chance ideal para quem me acompanha ficar por dentro das novidades da pessoa também. Quero mais entrevistas! Amei!!

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  16. Hahaha ri horrores com essa entrevista! E desejo toda sorte para esse escritor,parece ser bem simpático amei o bom humor... Realmente a escrita nacional estou vendo que atialmatua esta se desenvolvendo muiito bem e estou extremamente feliz por isso,porque quando lemos um livro nacional nos sentimos realmente em casa,nao so pelo uso de gírias congecidas como tamvem pelos lugares e o carinho como o livro e escrito. Vou pesquisar sobre o seu livro,nunca vi nada parecido! Amei, sucesso

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  17. Oi Fernando,
    Primeiro: estou imaginando você andando na rua enquanto sua imaginação flui, não nego, estou rindo muito porque já me chamou fazendo isso, quando "desperto" até fico olhando para os lados para ver se ninguém está olhando kkk
    Acho interessante conhecer o processo de escrita de um autor, e no seu caso foi bem diferente, sua mente precisa disso, e eu sinceramente espero que ela continue agitada assim é nunca pare de escrever, rsrs.
    Beijos

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  18. Olá,Fernando!
    Não conhecia o autor e nem o livro, adorei a entrevista é uma boa oportunidade para conhecer mais escritores brasileiros. Pelo senso de humor do autor conversar com ele deve ser o máximo, fiquei com vontade de ler o livro.
    Beijos

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  19. Eu nunca li um romance poliamor, achei tão interessante e me identifiquei com o autor, também escrevo e sou bem obsessiva com detalhes. Acho que um texto bem detalhado ganha vida.

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  20. Olá! Esses lances de editoras que acabam danando a vida dos autores é complicada mesmo. Sempre vai ter alguém querendo se aproveitar em tudo na vida.
    Seus medos se parecem os meus kkkkk até os autores (Machadão e Cassie <3).
    Beijos

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  21. Super amei a entrevista,mesmo sendo um gênero que eu nunca li, achei que toca em um assunto difícil de ver,acho super valido.

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  22. Oiee!
    Concordo com o autor que poliamor é um tema muito pouco explorado, acho que ainda temos muito caminho pra seguir antes de tudo isso não ser mais um tabu.
    Enfim, gostei muito da entrevista.
    Bjs!

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  23. Olá Fernando.
    Gosto quando vejo post com entrevistas com os autores, isso mostra o quão diversificada está ficando nosso mundo literário e como novos horizontes vão surgindo par que possamos pensar sobre diversos assuntos e ainda mais como por ex: esse do poliamor. Não conheço o autor, mas com essa entrevistas me senti proxima mesmo sem conhecê-lo pessoalmente e nem ter lido. Continue com esse quadro de entrvistas, é muito bom.

    Bjsss

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  24. eu estou apaixonado pelo autor
    vai ter resenha do livro dele por aqui
    porque eu confesso que estou bem curioso
    poliamor é algo complicado
    quero saber mais sobre o assunto

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