29 abril, 2018

ENTREVISTA #22 | Pablo Eduardo Lacerda Brandão


1 - Como você percebeu que queria ser escritor(a)?
Desde a infância sempre fui criativo. Durante o ensino médio despretensiosamente criei uma história em quadrinhos apontando as "pérolas" da minha turma e criando diversos personagens inspirados em mim mesmo e meus colegas na época, e foi um sucesso. Vi que algumas pessoas começaram a gostar das histórias que eu criava e continuei levando aquilo como um hobby. Até que em meados de 2008, inspirado pelo jogo Age of Mythology da Microsoft, passei a me interessar mais sobre mitologias e comecei a esboçar os primeiros textos que posteriormente viriam a se tornar a saga Leondrakius. A escrita acabou se tornando um veículo para minhas emoções e sublimação psicológica sobre alguns dilemas da minha própria vida. Hoje enxergo perfeitamente a bagagem conceitual que eu tentava construir na época, e quando menos percebi, a história já havia adquirido um grau de complexidade razoável, tanto pela bagagem histórica e cultural, quanto pelo desdobramento da própria narrativa. A partir daí decidi começar a enxergar isso com uma oportunidade de empreender e transformar em um negócio.


2 - De onde vêm os seus personagens? São inspirados em pessoas reais?
Como hoje em dia tudo é motivo para processos, prefiro não citar nomes (risos). Mas sim, obviamente eu construí alguns personagens inspirados em pessoas significantes da minha vida. Os sete personagens principais (seis protagonistas e um anti-herói) eu tentei definir como aspectos da minha própria consciência. A saga Leondrakius retrata a guerra interior que lutei pelo desenvolvimento da minha inteligência intrapessoal e desenvolvimento da minha estabilidade emocional. Pode parecer estranho o método, mas isso me ajudou bastante a encaixar as peças do quebra-cabeça da minha mente e a lidar com traumas do passado, tais como rancores, dúvidas, culpa e etc.

3 - No início, que tipo de escritor/livro te influenciou? E agora?
Como disse anteriormente, foi o jogo Age of Mythology da Microsoft que me influenciou a escrever sobre mitologia. Lembro que no próprio jogo tinha uma opção, ao selecionar um personagem, de você ter acesso às suas referências históricas na cultura mitológica tradicional. Na época eu li praticamente todos os quotes e daí segui buscando livros e outras fontes para me aprofundar mais no assunto. O jogo retratava as mitologias grega, nórdica e egípcia, mas eu quis adicionar um pouco mais de complexidade e incluí as mitologias japonesa, hindu e cristã. Como escritor, eu me inspiro muito nos mangakas japoneses Yoshihiro Togashi (Yu Yu Hakusho), Eiichiro Oda (One Piece) e Masashi Kishimoto (Naruto), e tenho tentado criar minha própria identidade apesar de trabalhar em um universo tradicional já existente.

4 - Foi difícil chegar até uma editora e publicar seu primeiro livro?
Inicialmente eu tinha escrito um volume de aproximadamente 900 páginas A4 em agosto de 2016. Busquei fazer as artes com um ilustrador talentosíssimo com o qual trabalho até hoje chamado Pedro Rodrigues (@pehdrigues - Segue lá :D). E a partir daí, após registrar na Biblioteca Nacional, comecei a enviar os originais para diversas editoras do Brasil. Obviamente, fui rejeitado várias vezes, mas após cerca de um ano, tive um retorno positivo do Aldemir Alves e a equipe da editora Selo Jovem. A primeira coisa que tive que fazer foi dividir o volume de 900 páginas em arquivos de aproximadamente 300. A partir daí fechamos contrato e iniciamos o processo de publicação. Além de ter gostado da política da editora, consegui ter um bom relacionamento com os editores e valorizo muito a qualidade da produção deles. Os livros são produzidos com material de qualidade, com muito carinho e zelo. Isso me trouxe conforto e motivação para continuar investindo no meu trabalho.

5 - Você faz muitas pesquisas antes de escrever uma história?
Sim, muitas! Desde filmes e documentários a livros e jogos.  Durante toda a obra, faço diversas apologias a acervos mitológicos, eddas poéticas, eddas em prosa, a própria bíblia cristã e cito o máximo de conteúdo possível, com intuito informativo e aproveitando esse universo para agregar valor à narrativa.

6 - Quais são seus projetos para um futuro próximo? Pretende lançar mais livros? Se sim, fale um pouco sobre sua próxima obra.
Até hoje (29/04/2018), tenho cerca de 1550 páginas A4 escritas, o equivalente a cerca de 5 volumes no modelo adotado pela editora Selo Jovem. Não posso dar spoilers sobre o que está por vir, mas estou alinhado com a editora a lançar um livro por ano. Adianto que o volume II que se chama "Legado Negro" está pronto, mas até fevereiro/2019 farei várias revisões (inclusive ainda quero alterar algumas coisas). "A Rainha das Espadas", como todo volume I, tem uma função mais introdutória para a saga. Apresentação da maioria dos protagonistas, vilões e as tramas principais da narrativa. "Legado Negro" já apresentará uma abordagem mais profunda sobre os personagens, teremos batalhas mais intensas e seguirei dando continuidade ao desenvolvimento das jornadas de cada protagonista. Alguns amigos mais próximos que já leram o material afirmam que minha história daria um bom RPG, mas eu ainda quero entender melhor como será a recepção do público nesse início para projetar melhor minhas próximas diretrizes. :)

Gostaria de deixar algum recado para os leitores do Lost Words, e para seus futuros leitores?
Gostaria de agradecer a todos aqueles que apoiam e incentivam o mercado literário nacional. É sempre difícil competir com os autores de fora, mas aqui no Brasil também há muitos escritores talentosos de obras magníficas. A editora Selo Talentos e o grupo editorial Selo Jovem estão fazendo vários lançamentos nesse meio de ano. Não esqueçam de passar depois no site e dar uma conferida! ;)

Sobre o autor:

Meu nome é Pablo Eduardo Lacerda Brandão, nasci em 14 de fevereiro de 1990 na cidade de Recife, mas morei a maior parte da minha vida no bairro de Jardim Paulista, cidade de Paulista, estado de Pernambuco, Brasil. Atualmente, sou graduando de engenharia elétrica, baterista, compositor e técnico eletrotécnico. Decidi começar a escrever em meados de 2009 como um simples hobby, mas com o passar do tempo, a história foi ganhando complexidade e decidi investir nisso profissionalmente. Leondrakius é uma autobiografia mascarada numa saga de romance e fantasia com contexto apocalíptico voltado para uma guerra entre deuses, homens, anjos, monstros e demônios num universo criado através do cruzamento de seis mitologias grega, nórdica, egípcia, hindu, japonesa e cristã.


Sobre sua obra: 


Sinopse: O que você faria se fosse capaz de destronar deuses para se proclamar como a autoridade máxima em todos os planos universais? Na era da mitologia clássica, Vladen Garoune foi um homem privilegiado a crescer em Asgard e por motivos misteriosos quebrou o poderio dos deuses para declarar guerra em nome do destino da humanidade. Dérick Adler, um grego nascido em Arcádia e adotado por Esparta, acabou se envolvendo na trama a favor dos deuses, sendo auxiliado por vários outros heróis, feiticeiros e semideuses numa grande aventura na busca pela recuperação da ordem no mundo e a realização de objetivos pessoais. "Leondrakius - A Rainha das Espadas" é o primeiro volume de uma saga de fantasia com contexto apocalíptico voltado para uma guerra entre homens, deuses, anjos e demônios num universo baseado no cruzamento das mitologias grega, nórdica, egípcia, hindu, japonesa e cristã. Utilizando fundamentos de lógica, psicanálise e fazendo uma grande viagem no mundo mitológico tradicional, o autor Pablo Brandão sublimou os momentos mais críticos dos primeiros vinte e seis anos de sua vida numa história envolvente, intensa e repleta de reviravoltas.


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Beijos!

6 comentários:

  1. Olá Aline!
    Gosto muito quando você posta entrevista, pois assim posso conhecer novos autores com suas respectivas histórias, esse por exemplo eu não conhecia, queria ter esse talento da escrita. Já escrevi e apaguei tanta história pois não sabia como continuar. Atualmente estou tentando pela última vez postar uma história até o fim no wattpad. Desejo sucesso ao autor e que suas obras possa chegar muito além. Bjs e um excelente finzinho de domingo.

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  2. Bacana as inspirações do autor,pois ele começou com histórias de seu cotidiano na escola, e soube transformar em algo maior. Seu livro aborda temas muito bons, me deixou curiosa para conhecer!!

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  3. Oi, Aline.

    Apesar de antes não conhecer o autor, gostei da entrevista, por poder conhecer um pouco mais sobre o autor, sobre como tudo se iniciou e como foi sua conquista no mercado editorial.

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  4. Oi Aline,
    Hilário a forma que a imaginação do leitor de manifestou, imagino que deve ter sido bem legal acompanhar as pérolas de seus colegas, rs.
    Gosto quando por trás das histórias existe uma pesquisa, um trabalho para trazer para o leitor um conteúdo melhor!
    Preciso ler mais fantasias e me interessei pelo livro do autor!
    Beijos

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  5. Olá!
    Adorei a forma como o escritor faz as coisas, é bastante interessante, suas inspirações também.
    O livro vai para a listinha, sou apaixonada por mundos no estilo desse que ele criou.
    Beijos <3

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  6. Boa Noite Aline
    Que capa
    O autor é muito inteligente, misturar tantas coisas assim em um livro não é para qualquer um, não vejo a hora de ler sua resenha

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