24 junho, 2018

ENTREVISTA #30 | Autor Fernando Mello


1 - Como você percebeu que queria ser escritor?
A questão de escrever começou na minha infância, quando eu assistia a algum filme e logo em seguida eu escrevia tudo o que tinha visto nele na exata sequência de cenas, simplesmente pelo motivo de amar fazer aquilo. E com o passar dos anos comecei a escrever textos e canções de própria autoria – canções essas que somente eu tenho acesso, e a partir de um desses textos que escrevi me veio a vontade de escrever um livro, que foi A garota por quem me apaixonei, algo só para mim e em seguida Uma nova chance, porém ambos nunca mostrados a alguém, mas como eu queria muito fazer parte da literatura nacional, me joguei nesse meio às cegas, pois não conhecia ninguém que fazia parte dessa área, fiz todo aquele processo de procurar editoras e coisas posteriores. E após as pessoas lerem e gostarem foi que vi a possibilidade de tentar a carreira de escritor, mesmo difícil, e até hoje estou nessa caminhada.


2 - Tem algum personagem favorito? Em modo geral ou de seu(s) livros? Se sim, por quê? O que ele significa para você?
Sim. Mas não é de nenhum dos livros já lançados, e sim de um ainda engavetado que um dia eu pretendo lançar. O nome dele é Daniel, e me fascina pela sua coragem em encarar os piores problemas de frente sem perder a pessoa que ele é, sem se deixar cair diante de obstáculo, sem perder a fé na vida e na vitória que é incerta.

3 - Como foi para você, entrar no mundo literário e publicar seu primeiro livro?
Foi difícil. Ter um livro publicado era algo que eu queria, porém não sabia como funcionavam as coisas no ramo literário. Não tinha amigos da área, não conhecia ninguém que já tivesse publicado algum livro na vida. Então me joguei de cabeça mesmo, assim publiquei um livro de forma independente por uma editora prestadora de serviço, dois anos depois lancei “Sob o domínio do silêncio” por uma editora pequena – a qual me deu calote, porém continuei com o trabalho migrando para a Amazon, onde, para minha surpresa, ele conseguiu chamar um pouco de atenção dos leitores. E foi daí minha inserção no mundo literário. Descobrindo aos poucos como são as editoras e o mercado editorial, observando como os leitores reagem aos meus livros, vendo o que está sendo lido, o que ainda não foi produzido, e procurando sempre melhorar minha escrita.

4 - Você faz muitas pesquisas antes de escrever uma história?
Sim. Como a maioria dos temas que gosto de abordar são baseados em fatos reais, pesquiso sobre tais assuntos e procuro entrevistar pessoas que já foram vítimas ou até testemunhas de tais assuntos abordados. Assim foi com “Sob o domínio do silêncio” – um suspense que trata de estupro e consequências psicológicas. E também em “Submerso em ossos”, outro suspense onde abordo sobre a violência física e psicológica contra crianças e adolescentes – em que eu fui parte da minha própria pesquisa por já ter sido vítima. Além disso há a pesquisa geográfica do local onde irei narrar a história; a de personalidade; demográfica. Etc.

5 - Existem muitas cobranças por parte de seus leitores?
Através das minhas estatística pessoais, sim. Recebo muito feedback ótimo, mas também recebo críticas construtivas que servem para melhorar meus textos. Os leitores quando me criticam eu não levo para o lado negativo, pois vejo como eles querem ver minha evolução na arte de escrever. Há outros que criticam negativamente, sem pontuar bem o que diz, esses desconsidero.

6 - Fale um pouco sobre sua forma de criação... tem alguma mania na hora de escrever?
Minha forma de criação é tipo o big bang, o personagem já aparece gritando dentro da minha cabeça contando sua história. Fico analisando o que ele me mostra para eu ver se é algo bacana de se escrever. Coleto as informações, imagens, até o momento de decidir escrever sobre ou não. Se sim, faço todo o planejamento do que deve ser pesquisado, cronograma de capítulos, escrevo esboço, etc. Mas uma coisa é certa: nunca consigo começar a escrever do capítulo um. Como toda a história já está na minha cabeça, o que vem para mim no momento, eu escrevo – pode ser uma cena lá do final, ou do meio, ou do ponto de virada. Mas nunca consigo escrever a partir do primeiro capítulo. E quando começo a escrever, sempre me isolo, então geralmente escrevo durante minhas férias. As manias que tenho são de imitar os personagens – quando estou só. Escrever no escuro e em total silêncio. Conversar com os personagens.

7 - Quais são seus projetos para um futuro próximo?
“Submerso em ossos” é um Suspense/Terror Psicológico que aborda sobre a Violência Doméstica contra Crianças e Adolescente, algo capaz de tornar tais, caso não haja ajuda, em um perigo para a sociedade, que é o caso da história do livro. Resolvi abordar este tema por motivos pessoais, pois cresci em um lar violento, onde via minha mãe ser maltratada pelo meu pai, assim como a mim, no caso dela, chegando ao ponto dela perder a noção da realidade e praticamente enlouquecer – ela nunca voltou a ser a mesma pessoa que um dia já foi. Em passar por posteriores lares onde convivia e via a violência doméstica contra mulheres e crianças ser pratica na minha frente e eu não poder fazer nada contra, por ser uma criança; por ter sofrido também com isso. Nunca tive ajuda, nunca me deram voz. E penso: quantos mais passam/passaram por isso e são/foram silenciados?
Aprendi muito sobre mim mesmo durante a escrita do livro, embora seja uma obra de ficção onde nem tudo é real, alguns problemas meus, travas emocionais, foram quebradas durante a escrita desta obra, consegui me entender melhor.
Na obra, resumindo por cima, o personagem principal é Ethan, ele teve de ir morar com seu pai e a nova família que ele construiu. Seu pai é um homem envolvido com a política mostrando-se ser uma pessoa boa e prestativa para a sociedade, porém é um monstro quando se está a sós com a família. Ethan, é treinado para ser um assassino para uso pessoal de seu pai, e juntando todos os traumas mais a pressão da culpa de ser obrigado a assassinar inocentes, acaba por decidir lutar contra o que o massacra mesmo que isso custe sua liberdade ou a própria vida.

Gostaria de deixar algum recado para os leitores do Lost Words, e para seus futuros leitores?
Gostaria de agradecer a todos leitores do Lost Words por lerem a entrevista e interagirem. Espero que tenham gostado. E Lembrem-se: cultivem e fortifiquem suas sementes para que consigam colher futuros bons frutos. Nunca desistiam das coisas que almejam para o futuro de vocês. Caso queiram conhecer mais sobre meu trabalho meu site oficial é: http://fmello.com.br/
Caso queiram conhecer meu livro “Sob o domínio do silêncio”, ele está disponível em versão ebook na Amazon. E a partir de 23 de setembro “Submerso em ossos” também estará disponível por lá.
Um grande abraço e fiquem com Deus!

Sobre o Autor:

Fernando Mello é de Fortaleza-Ceará, Bacharel em Administração, atualmente cursando Especialização em Escrita Literária. Trabalha em Indústria. Resenhista, Colunista e Organizador de Antologia do site Arca Literária em parceria com a Editora Illuminare. Completamente envolvido pela arte da escrita que é uma forma de expressar tudo aquilo que ele silencia. Almeja realizar tudo o que idealizou para sua vida tanto na área profissional como pessoal. Autor do livro “Sob o domínio do silêncio”. Está com um projeto de novo livro de Suspense com previsão de lançamento Ebook Kindle para 23 de setembro de 2018.





Suas Obras:

Sinopse: Meu verdadeiro nome é Lucas Alcântara e eu tenho muito o que contar... Desde que arrancaram meu direito de viver em paz vivo uma luta para libertar minha alma dessa enfermidade que é a ideia de vingança e toda conturbação que isso abrange. Por dois anos conheci do inferno. Perdi amigos. Perdi parentes. Perdi a mim mesmo. Fui dado como morto há treze anos, após sofrer um atentado. Assumi uma nova identidade, uma nova vida, mas existem marcas do passado que simplesmente não esquecemos e que sempre nos damos o desprazer de manter frescas em nossas mentes, queimando em nossas almas. Meu nome agora é Natanael Váli, empresário bem sucedido e namorado da filha do Raul que é meu maior inimigo meu alvo principal nessa luta, e com minha união com velhos inimigos e da polícia federal, iremos derrubar todo seu império de monstros e dementes até que reste apenas ele para o meu veredito final. Raul, você pode usar seu dinheiro para se safar dos seus crimes, pode tentar comprar a tudo e todos, mas estou te caçando. Você tirou o melhor de mim... E agora vou tirar o melhor de você.
Está história não é sobre justiça.

Sinopse: Ethan é filho de um político de uma pequena cidade do Ceará. Sua vida, pela perspectiva alheia, é considerada perfeita. O que a sociedade não sabe é que dentro desta família habita um mal social. Ethan era espancado de duas a três vezes no mês, quando não, acabava sendo submetido a humilhações verbais. A pessoa que deveria lhe fazer sentir seguro, causava o sentimento contrário. Quem ele deveria denominar como herói, sempre foi seu vilão. Átila destruiu seu psicológico de todas as formas, tornando-o um escravo mental; transformou-o em um assassino. Convivendo desde sua infância com a violência física e psicológica, Ethan vê-se preso numa cela abstrata, onde encontra como única saída entregar o pai e a si próprio à polícia, para pôr um fim ao que lhe doma, e assim conseguir sua liberdade. Porém, existem fatores passados e pessoas que precisa considerar, antes de dar qualquer passo à frente em seu plano. Será que ele se libertará do seu domador ou se tornará apenas mais uma vítima silenciada?

Beijos!


23 comentários:

  1. Obrigado pelo espaço em seu blog! Ficou lindo. Parabéns pelo seu belo trabalho. Beijos!

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  2. não conhecia o autor
    eu estou apaixonado na capa desse segundo livro dele
    adoro saber sobre forma de criação e os projetos futuros
    parabéns ao autor pela simpatia e desejo muito sucesso

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    1. Obrigado!! A capa quem fez foi eu. Fico feliz que tenha gostado. Abraço!

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  3. Olá, adorei saber que o autor se baseia em fatos reais para compor a suas obras, visto que isso agrega ainda mais valor ao que está sendo lido e ainda por cima mostra que o autor realmente faz um belo trabalho de pesquisa antes de começar a escrever. Vou pesquisar mais sobre as obras de Mello. Beijos.

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  4. Amei a sinopse dos dois livros, parecem ser ótimos, e olha que não é minha temática preferida.
    Foi muito interessante conhecer um pouco desse escritor e saber um pouco sobre o que ele passou e que várias pessoas passaram e passam.
    Ele em si me pareceu uma pessoa humilde e um bom escritor (mesmo que eu não tenha lido nenhum de seus livros).
    Eu tenho um amigo que gosta de escrever também (mas ele ainda não publicou nada), e ele também começa pelo meio ou fim.
    Queria saber mais sobre essa parte das editoras, minha irmã gosta de poemas e eu já vejo ela publicando um livro um dia.
    Obrigada pela entrevista foi bom ver mais um escritor nacional tanto na cara da sociedade Kkk bjs.

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    1. Olá, Paola! Obrigado, fico feliz que tenha gostado. Caso queira saber mais sobre tipos de editoras, lhe indico este link:https://www.escrevaseulivro.com.br/como-publicar-um-livro-editoras/

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  5. Adoro conhecer novos autores nacionais! Esse eu ainda não tinha ouvido falar, mas parabéns por ter conseguido publicar seus livros e desejo a ele muito sucesso nessa jornada!

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  6. Olá.
    Não conhecia o autor, então foi ótimo saber um pouquinho sobre seu processo criativo e suas obras.
    Submerso em ossos tem um premissa bem interessante e gosto de leituras que abordem temas polêmicos, que nos tira da zona de conforto.
    Adorei a capa.
    Desejo muito sucesso ao autor.
    Beijos

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    1. Obrigado!! Submerso em ossos foi um livro difícil por conta de alguns gatilhos emocionais, mas estou satisfeito com o resultado. Espero que algum dia o leia :) Abraço!

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  7. Vou ficar de olho nesse lançamento do livro de terror psicológico que ela falou que vai lançar achei a proposta bem interessante e adorei a entrevista no geral

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    1. Obrigado :). Anota aí: 23 de setembro. Grande abraço!

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  8. Fiquei bastante tocada com a história do autor, na verdade, e admiro a coragem em não apenas expor isso, mas fazer dessa experiência uma alavanca para seu processo de escrita. Curti muito os livros e com certeza quero conferir a história de cada um!

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    1. Obrigado :) Traumas já superados a cada dia vivido. A escrita é algo capaz de libertar a alma. Grande Abraço!

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  9. Caramba, não conhecia o autor, mas adorei a entrevista e os livros também. Fiquei chocada com o livro Sob o domínio do silêncio, achei a història perfeita, preciso ler esse livro.

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    1. Olá, Ana Paula! Obrigado! Sob o domínio do silêncio é sim chocante, ainda mais por ser contada me primeira pessoa, pelo ponto de vista de uma vítima masculina de violência sexual. Foi duro escrever pelo ponto de vista dele. E tive de conversar com rapazes que já passaram por isso para conseguir compreender o que se passa na mente de quem sofre este crime. Abraço.

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  10. Eu adorei as capas dos livros e foi muito bom conhecer um pouco sobre o Fernando. Imagino as dificuldades enfrentadas para ter um livro publicado. Converso com muitas pessoas e cada um tem uma história que nem sempre é positiva. Muito triste o que aconteceu com você com a editora no início. Acho muito importante essa forma de receber as críticas dos leitores e, concordo ainda mais, quando diz que muitas críticas destrutivas baseadas em opiniões pessoas devem ser descartadas.

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    1. Obrigado, Evandro! Sim, foi dificil, mas acho que tudo é valido, sabe? Foi necessária toda essa experiência até para meu amadurecimento na área e como pessoa. Grande Abraço!

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  11. Os dois livros acabaram de ir para minha lista de desejados
    Incrível demais a história do autor, me conquistou pela sua determinação e garra. Pessoas assim são admiráveis.
    Desejo todo sucesso do mundo pra ele.
    Beijos

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  12. Não conhecia o autor e amei saber mais sobre ele! O gênero não é um dos meus favoritos mas as capas me conswusitar totalmente! E outra coisa, tô louca pra conhecer o Daniel, só por essa pequena descrição e pelo carinho que o autor tem por ele!

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    1. Obrigado, Roberta. Não sei se Daniel terá sua história publicada algum dia, mas tenho vontade. A história dele seria usada no meu TCC - que é um livro literário -, mas preferi criar algo inédito com base no que estou aprendendo na Especialização em escrita literária.

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