01 julho, 2018

ENTREVISTA #32 | Autor Leandro Barros


1 - Como você percebeu que queria ser escritor?
O exato momento é muito difícil de dizer, mas comecei como um hobby, algo para aliviar a mente do estressante cotidiano. Com o incentivo de minha esposa, a coisa foi tomando corpo e... bem, hoje estamos aqui. Mas não foi algo pensando, eu não tinha a certeza de que aquele hobby daria em algo produtivo, comecei sem pressão e, se visse que valia a pena, por que não publicar? Até hoje, não me coloco muita pressão. Fujo dos rótulos, sou somente uma pessoa que decidiu compartilhar uma história que julgo ser interessante. Espero que os leitores tenham a mesma opinião. [risos]


2 - Tem algum personagem favorito? Em modo geral ou de seu(s) livros? Se sim, por quê? O que ele significa para você?
Personagens são como filhos, então você pode imaginar a dificuldade da pergunta. Mas, falando especificamente do meu trabalho em Matança, tenho, sim, uma preferência. Isto é engraçado, porque necessariamente não precisa ser o protagonista para ganhar sua torcida. Pode parecer contrassenso, vindo de quem escreveu a história, mas é a pura realidade. Às vezes, um personagem secundário vai ganhando força, conforme a história vai se desenrolando. E assim aconteceu com McFinley, o velho barbeiro da cidade onde se passa a história. Sem dar spoilers, me aproximei dele por sua personalidade misteriosa. Afinal, quantas pessoas não devem ser assim na vida real? Como diz o ditado: nem tudo é o que parecer ser, não é mesmo?

3 - Como foi para você, entrar no mundo literário e publicar seu primeiro livro?
Foi um momento muito marcante na minha vida. Pela primeira vez, senti que estava fazendo algo, algum legado para deixar para os meus filhos, sabe? Como disse anteriormente, não me coloco muita pressão, mas este pensamento me fez sentir orgulho próprio. O lançamento do livro me fez descobrir um mundo, até então misterioso, e perceber o quanto é forte a cena literária no nosso país e o quão apaixonados são os leitores. Eles têm verdadeira paixão pelas histórias e dá para sentir o entusiasmo, a empolgação nas resenhas, por exemplo. É algo muito gratificante, principalmente para quem escreve.

4 - Você faz muitas pesquisas antes de escrever uma história?
Tento me aprofundar em alguns assuntos abordados, tiro dúvidas com alguns amigos sobre algumas nuances, tudo isso para passar a tão sonhada sensação de realidade (verossimilhança) e envolver o leitor. Mas não me atenho muito, não deixo que isto atrapalhe o andamento da criação, por exemplo. Geralmente descrevo algo como acho que deveria ser. Sempre temos o escudo da “ficção” para nos proteger. Apenas cuido para que a história não fique tão absurda a ponto de desestimular quem está lendo.

5 - Existem muitas cobranças por parte de seus leitores?
Bom, Matança é minha primeira obra, então estou iniciando nesta interação com os leitores. Até agora, tem sido natural. A maioria pergunta quando sai o próximo, ou elogia determinado personagem, o enredo, este tipo de coisa. Mas, pelas críticas, pelo menos as que importam, que são as dos amigos, estamos no caminho certo. Logicamente que, como toda estreia, sempre tem ajustes a se fazer, mas nada que desabone o trabalho. Estou satisfeito com o resultado e com a recepção do público.

6 - Fale um pouco sobre sua forma de criação.. tem alguma mania na hora de escrever?
Costumo dizer que o escritor é o primeiro leitor da história. E acontece exatamente isso comigo. Muitas vezes, eu sento para escrever com determinada ideia, mas, a depender da forma como flui, as coisas vão se juntando, se interligando e não necessariamente sai como planejei incialmente. É uma sensação indescritível. Um pouco estranha, mas para o lado bom. Sobre a forma de escrever, busco inspiração em outros livros, letras de músicas. Gosto muito de Stephen King, e seu livro “Sobre a Escrita” é uma verdadeira aula para quem escreve ou deseja começar. Altamente recomendado, pois ensina da melhor maneira que existe, pelo exemplo. Fora isso, busco sempre descrever os personagens antes da história em si, suas personalidades, origem, esse tipo de informação. Isto ajuda muito, pelo menos para mim, a destravar. Sem perceber, quando o exercício termina, você tem praticamente a história na mão.

7 - Quais são seus projetos para um futuro próximo?
Matança, na verdade, é a minha segunda história. Meu hobby começou com outro enredo, porém cai em minha própria armadilha; acabei travando em determinado ponto da trama. Se pudesse dar uma dica para quem pensa em se arriscar no mundo literário, seria esta: SIGA EM FRENTE! Se, de repente, ficar sem saída na história que criou, não desista! Dê um tempo, respire. Mais cedo ou mais tarde, você vai conseguir concluir e o resultado será ainda melhor. Assim aconteceu comigo, tive que concluir a história do Matança para enfim destravar meu antigo enredo. É este que pretendo publicar em um futuro próximo. Ainda não posso dar muitos detalhes, mas adianto que não será uma continuação de Matança. Apesar de atemporal, meu segundo livro não será ambientado em um cenário de “velho-oeste”. Será bem mais urbano. Isso é tudo que posso dizer. Aguardem!

Gostaria de deixar algum recado para os leitores do Lost Words, e para seus futuros leitores?
Se estiver na dúvida sobre ler determinado autor, por ser desconhecido, meu conselho seria para arriscar. Dê um voto de confiança, crédito, para quem está começando. Até porquê, nunca se sabe de onde vai sair o próximo “best-seller”, não é mesmo? Continue incentivando à leitura por onde passar, enquanto existir leitores ávidos por uma boa e surpreendente história, do outro lado sempre haverá um autor esperançoso para atender ao chamado. E o mais importante, se ainda não achou um estilo “perfeito”, que atenda às suas expectativas, continue procurando que, certamente, encontrará.

Sobre o Autor:

Casado, Pai de dois filhos-um casal- 30 anos de existência, filho de um comerciante e uma auxiliar de enfermagem, porém criado por uma guerreira com nome de santa, e deve ser mesmo, administrador por formação, alagoano, reside em Maceió, apaixonado por uma boa história. Cinéfilo inveterado, amante de biografias. Quando não está no escritório, trabalhando, está em casa com a família e amigos, de preferência acompanhando uma boa partida de futebol. Estreia como escritor com a obra Matança, a qual iniciou como um hobby, mas considerou a possibilidade de compartilhar a história por incentivo da esposa. Tem um estilo de escrita agressivo, podendo impactar a algum leitor mais sensível, prima pela fundamentação da história, principalmente, na construção de seus personagens. O objetivo é fazer com o leitor tenha a sensação de ser íntimo deles.



Sobre a Obra:

Sinopse: Esta obra, que tem como inspiração as letras de um banda de Country Core carioca denominada MATANZA, retrata a história de amor entre dois jovens de famílias distintas. Ela, Elena Rockfeller, é filha do fazendeiro mais poderoso e cruel da região, apesar de não ter a personalidade do pai como herança. Do outro lado, tem-se Ulrich, o mustangue indomável, filho do falecido Mad Willie, ex-empregado de Rockfeller, importante figura de resistência e de luta em defesa dos trabalhadores da fazenda. Ulrich tem como fiel amigo e escudeiro, Cobby, filho de Buffalo Red, fundador de Freeland, principal reduto de índios da região e ex-trabalhadores da fazenda. Apesar de jovens, Ulrich e Elena são determinados e possuem coragem suficiente para enfrentar a tudo e a todos, principalmente o temido El Perro, braço direito de Rockfeller, chefe dos capangas e pistoleiro conhecido em toda região de Santa Fé por sua pontaria fatal. Mal sabiam eles que a coragem sempre cobra seu preço. O cenário é a cidade de San José, que tem como principal atrativo, seus moradores, cada um com sua particularidade e também uma ponta de mistério. A exemplo do habilidoso barbeiro Jimmy McFinley, homem pacato e adorado por todos na cidade, mas que trazia consigo uma fraqueza, não podia sentir o cheiro de sangue, ele adorava. Nesta cidade, só existem duas verdades: o amor e o ódio. O restante vai te surpreender.

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Beijos!

13 comentários:

  1. Bacana a entrevista do autor, um hobby que se tornou um sonho realizado para ele,espero que continue a publicar seus livros e que tenha muito sucesso nessa jornada. O livro Matança me parece proporcionar uma otima leitura, cheia de altos e baixos, gostei que o nome foi inspirado na banda Matanza!!

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  2. Aline!
    Gostei muito de poder conhecer mais um escritor nacional e fiquei ainda mais feliz de saber que é Alagoano, porque morei 18 anos lá, além de ser nordestino.
    Bom poder conhecer um pouco mais sobre o processo criativo e sobre sua obra.
    Desejo o maior sucesso!
    Boa semaninha e mês de julho!
    “Palavras gentis não custam muito, e ainda assim conquistam muito. (Blaise Pascal)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JULHO - 5 GANHADORES - BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  3. Gostei muito da entrevista e o autor me conquistou com suas respostas. Já pensei em escrever, mas infelizmente não me surgiu nada em mente ainda.
    Sobre a dica de ler autores desconhecidos, preciso ser sincera: eu não sei o nome de um ator sequer kkkk claro que sempre surge a lembrança quando ouve o nome de um ou vê o livro de outro, mas se me perguntasse qual meu autor favorito minha resposta seria que não tenho um autor favorito. Vou lendo o que me chama atenção e o que me encanta, desde auto ajuda até qualquer outro gênero.
    Beijos e muito boa sorte nessa sua incrível caminhada <3

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  4. Olá Aline! Que bacana a entrevista, não conhecia o autor. Vejo que ele tem uma paixão muito grande pela leitura e transformou o hobby em profissão. O livro não faz muito o meu estilo mas como Leandro mesmo disse, sempre é bom dar uma chance a novas histórias e prestigiar a literatura nacional. Beijos

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  5. Olá, é interessante como alguns autores iniciam sua carreira mas não se davam conta de que nasceram para escrever e vão percebendo isso aos poucos, como Barros. Sua obra parece misturar alguns elementos do faroeste com a projeção de uma população do Brasil oligárquico de uma forma singular e que chama atenção, o que me deixou curioso para conhecer a história.

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  6. Como fã dos autores nacionais, fico muito feliz de chegar em um blog e ter algo sobre um novo trabalho(ainda mais quando envolve música) e também indicação de um autor que eu ainda não conhecia.
    Não se cria um autor, um autor já nasce tendo o dom das letras e se tiver oportunidade, quero muito conhecer as letras dele.
    Beijo

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  7. Ainda não conhecia o autor, mas achei bacana essa estréia dele como escritor, a sinopse é interessante. Achei legal também ele receber o apoio dos amigos e da família. Concordo que os leitores são mesmo apaixonados, e se envolvem muito uma vez que gostam da história. Desejo sucesso e sorte a ele, espero que o livro tenha um bom alcance e que ele deslanche nessa carreira ;)

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  8. Uau, eu não conhecia desse autor e sua obra (que parece ser muito bacana), adoro entrevista pois assim conhecemos mais do autor e o processo que ele passou para poder criar seu livro.

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  9. Gostei bastante de conhecer mais sobre o autor. Que bom que o que era um hobby, tornou-se a ponte que o liga aos seus leitores. Espero que obtenha muito sucesso. Fico maravilhada com quantos talentos estão ocultos no nosso país.

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  10. Bom conhecer um autor começando sua carreira, assim muitos que escrevem por hobby possam ver que podem virar algo maior, uma boa história sendo compartilhada a muitos leitores. Achei o livro diferente, não conheço a música que foi inspirada no livro, mas achei bem interessante.

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  11. Oi,
    Bem legal quando a escrita surge de um hobby, e depois vai passando a ser essencial em nossas vidas .. Ah Leandro, eu te entendo, não imagino como escolher um só personagem favorito, se para mim, leitora, eles são como filhos - ou crushes, rs - imagino para você.
    Sinta mesmo orgulho da obra que escreveu, de todas elas, o mercado literário não é fácil, mas deixo aqui sua dica, não desista, rs.
    Adorei a entrevista.
    Beijos

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  12. Não conhecia o autor, mas adorei a oportunidade de ler sábias palavras vindas de um profissional muito legal! Gostei muito da proposta do livro e, principalmente, da entrevista. Sempre vejo alguns autores falando de suas paixões por personagens coadjuvantes e me surpreendo bastante! Amei.

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  13. Muito bom conhecer mais um autor nacional com òtimo livro. Desejo sucesso e que venha mais livros para nòs.

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