ENTREVISTA COM AUTORES #302 | Autora Marina Lucia Bernardes Paula
1 - Qual foi sua inspiração para começar a escrever?
Meus pais sempre foram meus mestres, através deles houve meu primeiro encontro com a leitura e escrita. Foram eles que me deram meus primeiros livros, contaram as melhores histórias e compartilharam comigo a paixão pelos livros. Todo livro que leio me incentiva à escrita, como sou espiritualista,as minhas leituras sempre foram voltadas à espiritualidade, Chico Xavier tem sido um mentor da escrita desde muito cedo, Toda inspiração tem uma ligação íntima com quem somos, as mais belas inspirações dialoga com as nossas aspirações, tudo que vejo me serve de inspiração, seja um horizonte, uma folha seca, uma chuva e até mesmo um momento significativo,eu vejo a inspiração como um chamado para pensar, então,eu me inspiro na própria vida!!!
2 - Quais autores ou obras influenciaram seu estilo de escrita?
Gosto muito de Kiusam de Oliveira e Conceição Evaristo, são como Elza Soares da literatura para mim, gosto de escritores clássicos, embora eu tenha uma linguagem simples na minha escrita, gosto de explorar a poesia de Cecília Meireles, pinturas, ilustrações de algumas mulheres, Frida, Tarsila. O mundo é uma grande inspiração.
3 - Como você lida com o bloqueio criativo?
A página em branco é um terror noturno para escritores com bloqueio criativo, normalmente eu ouço uma música e começo a escrever, gosto de escrever quando meu coração está aberto... E isso é como um fio que vou seguindo e quando percebo, já escrevi alguma coisa, seja uma frase, seja um verso.
4 - Quais desafios você enfrentou durante sua jornada como escritor(a)?
Escrever é uma jornada solitária, mas precisamos de companhia para existirmos como escritores, eu demorei muito para assumir a minha nova etapa de vida como escritora, porque eu vejo como uma grande responsabilidade dirigir e instruir alguém através da escrita, mesmo que inconsciente o que falamos ou escrevemos exerce um grande poder na vida de alguém.
A escrita na minha vida é como um grande desabafo, uma forma de criar vida em outras vidas, o que nós somos, o que pensamos vai além do simples e enigmático pensar, é um existir no Universo... Nós escritores somos como catalisadores de palavras , somos acumuladores compulsivos de palavras que pescam palavras formando e materializando idéias.
5 - Você já teve experiências significativas com seus leitores? Alguma história que gostaria de compartilhar?
Meus leitores são adoráveis, sempre me respondem com sinceridade e respeito e comentam com assiduidade o que me fortalece e motiva a continuar escrevendo porque são eles as razões de todo nosso trabalho, são eles os nossos maiores espectadores de nossa curta existência, por eles que não desistimos.
Meus primeiros leitores estão na minha família, entre amigos, e reconheço neles os maiores críticos do meu trabalho, suas ideias, sugestões são de extrema importância para alcançar as minhas expectativas e metas, são cordiais e honestos, certa vez li um comentário no meu blog de uma leitora, suas palavras foram de encontro com meu coração, foi como uma luz acesa, me buscando a resposta mais íntima nas minhas escritas, e quando estou vivendo tempos difíceis, volto a esse comentário e me recarrego, é como um remédio eficaz contra o desânimo. Nós momentos difíceis é preciso que busquemos força nas palavras confortantes de alguém que nos preza, a verdadeira alegria está em retribuir o carinho recebido, e toda vez que um leitor faz um comentário sobre meu trabalho me faz querer fazer o melhor... Nas escolas em que trabalhei como contadora de histórias eu consigo ver o olhar curioso das crianças e os sorrisos são a melhor resposta de como é percebido meu trabalho.
As crianças são como o termômetro que me ajuda a desenhar o meu trabalho na escrita.
6 - Como é o seu processo de escrita? Você segue uma rotina específica?
Sempre me recolho ao silêncio, eu sigo as palavras que estão na minha mente, estão em nuvens e eu vou formando idéias e codificando, eu não fico sem um bloco de anotações, ouço uma música, vejo uma paisagem, ouço um som de chuva e daí tudo se torna palavras... É um ritual iniciático, uma rotina diária...sentar diante de um papel em branco e dizer: Eu quero escrever... E assim é a magia do escritor, esse foi um ensinamento de um amigo mentor, e desde então, sigo esse conselho.
7 - Qual é o impacto que você espera que suas obras tenham nos leitores?
Tudo que desejamos vem do coração, não há como fugir disso, então esperamos sempre o melhor...
As nossas escritas fazem parte de quem somos, logo, todos nós temos nós outros parte de nós.
Eu espero trazer reflexões, e isso é um propósito comum entre nós, os escritores, deixar boas memórias e belas histórias que vá trazer mudanças no íntimo de cada um.
Sabemos que o que escrevemos pode transformar a vida de alguém, então, que sejam positivas e acolhedoras, que sejam gentis e honestas... Toda mudança trás um ensinamento e comprometimento, portanto, a importância que damos a nossa escrita é diretamente proporcional a essa mudança, essa transformação íntima, porque é um ato de amor escrever com o intuito de instruir e educar os nossos leitores afinal, uma leitura sempre leva a outra leitura, e proporcionar o gosto pela leitura e sem dúvida um ato de responsabilidade da qual os escritores tem consciência e dever...
Quanto maior o impacto causamos, maior a responsabilidade e mais intencional se torna a escrita.
Sobre sua(s) obra(s):
Sinopse: Um dia de fada é a história de Cila, uma aprendiz de fada que sai para uma grande jornada para salvar sua mãe, descobre o valor da amizade, da paciência e do perdão. É uma história que nos ensina que a violência só machuca e que só o amor é capaz de nos transformar. - Compre aqui!
Sobre o(a) autor(a):
Marina Lucia Bernardes Paula.
Mãe de cinco filhos, escritora, contadora de história, blogueira, professora de educação infantil, escritora.
Livro infantil recém publicado:Um dia de fada, um livro sobre violência doméstica, pela Editorial casa kids.
Beijos!

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