05 junho, 2019

ENTREVISTA COM AUTORES #54 | AUTORA MARIA EDUARDA PASCHOAL


1 - Como você percebeu que queria ser escritor(a)?
Foi na mesma época em que peguei gosto pela leitura. Aos 13 anos iniciei minha trajetória no mundo dos livros, lendo histórias de ficção e poesias, como as de Fernando Pessoa. Depois esse gosto foi amadurecendo e, ao ingressar no Ensino Médio, os clássicos da Literatura Brasileira me conquistaram, desde José de Alencar até Clarice Lispector e além. Foi aos 13 anos mesmo que senti a vontade/necessidade de escrever, criar histórias, fazer o que meus autores favoritos faziam. Na escola, comecei a perceber que levava jeito nas redações de estilo livre, recebi diversos incentivos e ganhei um concurso literário em minha cidade chamado Rodamundinho, aos 14 anos. Minha vontade de ser escritora começou gritante, intensa, foquei minha vida, meus estudos, minhas experiências do dia a dia e os direcionei para lapidar minha escrita. Eu nunca quis apenas publicar um livro. Sempre quis uma carreira literária. Uma vida inteira dedicada à escrita...   

2 - Tem algum personagem favorito? Em modo geral ou do seu(s) livro(s)? Se sim, por quê? O que ele significa para você?
Posso dizer que o personagem que mais pulsa para mim é Henry Hawk, protagonista do meu primeiro livro publicado “HAWK! O Som e a Espiral (Parte 1)”. Às vezes tenho a impressão de que ele, dentro do meu universo literário, quase pode ser elevado à categoria de heterônimo, apesar da obra ser assinada por mim. Henry tem uma energia muito potente como elemento literário, é o narrador-protagonista, contando a própria história, entregando ao leitor (interlocutor, como ele utiliza) seu ponto de vista único que interage com o cenário da história (a cidade de Primavera) e os outros personagens. Henry convoca o leitor para participar da narrativa, conversando com o mesmo a todo momento. O estilo narrativo desse personagem é diferente de todas as outras histórias que já criei e crio. É quase como se ele tivesse vida própria. 

3 - Como foi para você, entrar no mundo literário?
Não fazia ideia de como se publicava um livro, mercado editorial era uma incógnita para mim e vice-versa. Eu não tinha leitores ainda, ninguém me conhecia. Mandei meu original para diversas editoras sem saber muito bem o que esperar. Recebi algumas propostas e fui entendendo como funcionava o sistema de publicação de livros, até decidir publicar com a Editora Pandorga. O processo todo é muito interessante, o autor participa de todas as etapas, coloca energia no livro. Nesse meio-tempo fui me divulgando em minhas redes sociais, mostrando o conteúdo do livro até o dia da publicação: ago/2018. Desde então continuo me divulgando, a melhor parte de tudo isso é a interação com os leitores, algo que coloco como prioridade. Livro não se divulga sozinho nem se vende sozinho, o autor é a alma que alimenta e dá vida para que a história chegue aos leitores.

4 - Você faz muitas pesquisas antes de escrever uma história?
Sim. Acho que a pesquisa efetivamente acontece durante o processo de escrita, enquanto as ideias vão surgindo e as palavras começam a ser construídas. A própria história exige do autor o que precisa ser estudado para que o enredo se desenvolva da melhor forma possível, seja conhecer melhor um assunto que se relaciona intimamente com algum personagem ou um recurso estilístico interessante para a estrutura narrativa.


5 - Existem muitas cobranças por parte de seus leitores?
Muitos já estão pedindo a parte 2 de “HAWK!”, a qual por enquanto não tem previsões para sair em livro físico. No entanto, pretendo divulgar a história no Wattpad, capítulo por capítulo, para aqueles que quiserem saber a continuação do que acontece no fim do primeiro livro (é uma saga)! Cobrança dos leitores é fundamental, estimula o escritor a focar no trabalho, a perseverar, ter esperanças. Críticas construtivas são extremamente bem-vindas!

6 - Fale um pouco sobre sua forma de criação.. tem alguma mania na hora de escrever?
Ironicamente sou uma pessoa muito agitada, o que acaba sendo um desafio no momento em que sento para escrever minhas histórias. Mas dar vazão a essa agitação é o que me faz criar melhor, libertar as ideias para que fluam intensamente. Então eu faço caminhada/corrida todos os dias, à noite, ouvindo música (os gêneros variam, mas meus favoritos são rock e pop) e enquanto meu corpo se distrai com o movimento, minha mente e minhas sensações focam nos personagens e seus respectivos enredos que me pedem atenção. É um tanto caótico, mas eu me organizo no caos e depois reúno as ideias que me deixaram mais entusiasmada. Costumo ter muitos insights também e as imagens do cotidiano ganham diversos significados em minha cabeça. Tudo isso me ajuda a criar.

7 - Quais são seus projetos para um futuro próximo?
Tenho várias histórias em andamento. HAWK! é uma saga então os próximos livros já estão sendo gestados. Além dela, estou para publicar uma antologia de contos chamada “As quatro fases da Lua”. Concomitantemente estou lançando uma série na Amazon, chamada Tramas do Submundo (Livro 1), serão seis contos, cada um representa um episódio. Outros projetos estão ainda tomando vultos!

8 - Gostaria de deixar algum recado para os leitores do Lost Words, e para seus futuros leitores?
Meu recado é um pedido: para que deem uma chance para o meu trabalho e dividam comigo suas experiências de leitura (das minhas obras e de seus autores favoritos). A melhor parte de ser autora é poder compreender o que os leitores pensam, sentem e anseiam com as histórias que escrevo, esse compartilhamento é muito rico!

Sobre a Autora:

É uma escritora sorocabana nascida no dia 8 de julho de 1995. Aos treze anos, resolveu que se tornaria escritora e focou sua vida em torno desse sonho que com o tempo foi amadurecendo e se concretizando. Duda escreve contos, romances e poemas, utilizando as palavras como tradutoras de seus pensamentos e sentimentos. Aos vinte e dois anos, formou-se em Teatro pela universidade de Sorocaba, um curso que lhe permitiu utilizar o corpo e a fala como veículos de tantas histórias. Atualmente dedica-se à escrita, seu infinito particular, um infinito que ela tenta mostrar aos seus leitores.





Sobre seu Livro:

Sinopse: Ele caminha pela cidade todos os dias, levando nas costas uma guitarra e um skate; em sua cabeça sempre é possível ver um boné azul-marinho que possui o detalhe de um pequeno gavião bordado em branco; e nos pés calça botinas pretas, suas fiéis guardiãs. Seu nome é Henry Hawk, um caminhante assíduo, um estudante (nada assíduo) de Ensino Médio e guitarrista em uma boate de strip chamada Clube do Uísque. Henry Hawk não aparenta ser um adolescente saudável vivendo o período mais intenso de sua vida. Intensos são seus problemas, os quais encara com uma boa dose de indiferença, dar de ombros e cigarros. Ele mora com o pai alcoólatra em um casebre feio e tristonho, mas os dois raramente interagem. O que Henry Hawk jamais poderia prever era o acontecimento fatídico envolvendo seu pai, algo que o obriga a tomar uma decisão arriscada. Na noite de seu aniversário, Henry sai pelas ruas de Primavera, a cidade onde mora, em busca de uma mulher que é citada em lendas como capaz de curar causas impossíveis. Naquele instante algo está prestes a acontecer com Henry, a estação de trem de Primavera recebe a visita de um ser inimaginável. Em meio a uma estranha batalha, Henry depara-se com aquela voz arrebatadora e suprema que parecia ecoar por todo o Universo. Um ser transcendental se apresenta para o rapaz que, por sua vez, não se acha capaz de definir quem ou o que exatamente é esse ser. Mas Ele diz: “Você terá de servir aos meus propósitos a partir de agora. Foi designado para isso. Ou melhor, eu o designei. Talvez dê certo, você tem perfil para o negócio. Afinal, você não tem nada a perder... é vazio.” Ele contesta de início... mas sentia que aquela última frase vinha carregada de uma indubitável verdade. O vazio sempre andou de mãos dadas com Henry.
Aonde Comprar: Saraiva | Instagram da Autora

Beijos!


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