ENTREVISTA COM AUTORES #310 | Autor David Brito
1 - Qual foi sua inspiração para começar a escrever?
Sempre gostei de contar histórias, normalmente em conversas entre amigos ou conhecidos. Não sabia disso ainda, mas era só uma questão de tempo até eu colocá-las nas páginas de um livro. Quando mergulhei de vez na literatura, ainda na adolescência, senti que também poderia fazer aquilo um dia. Tinha muita coisa para contar, muitas ideias viajadas (como gosto de dizer) brigando entre si para sair da minha cabeça e dar espaço para outras que esperam sua vez.
2 - Quais autores ou obras influenciaram seu estilo de escrita?
Stephen King mudou a minha vida e é, claro, a minha principal influência. Graças a ele, tornei-me leitor e, hoje, escritor. E, por mais que, com o passar dos anos, eu tenha desenvolvido meu próprio estilo e encontrado minha própria voz narrativa, quem é fã do King vai perceber que, em Crianças não brincam no escuro, ele já deu uma passada pelas ruas de Mirantes da Serra.
3 - Como você lida com o bloqueio criativo?
Tento não deixar que ele vença. Quando estou sem ideias — seja para continuar uma revisão ou uma história, ou simplesmente para começar algo novo —, escrevo sobre absolutamente qualquer coisa; até mesmo sobre um escritor que está com bloqueio criativo e precisa escrever sobre qualquer coisa porque está sem ideias. Busco, em alguma lembrança, o início de alguma história.
4 - Quais desafios você enfrentou durante sua jornada como escritor(a)?
Inúmeros, mas o maior de todos foi também o mais comum: o perfeccionismo. Levei bem mais tempo do que deveria para publicar meu primeiro livro, justamente por nunca acreditar que ele estava pronto para ser mostrado. Sempre sentia que faltava algo. Sempre que o relia, sentia a necessidade de cortar, acrescentar ou corrigir alguma coisa. Então, no ano passado, decidi que não faria mais isso, nem com ele nem com os próximos.
5 - Você já teve experiências significativas com seus leitores? Alguma história que gostaria de compartilhar?
Tem uma, em especial, que sempre rende boas risadas quando conto. Um leitor, pouco acostumado aos gêneros de suspense e terror, quis ler meu livro. Alguns dias depois, entrou em contato para comentar sobre a leitura e disse que gostou da escrita, de alguns personagens e do foco no regionalismo, mas que o livro em si fez mal a ele. Então, teve que interromper a leitura porque se sentiu mal com certas cenas e ficou com aquela sensação ruim no peito e um gosto amargo na boca.
No fim, o que deveria ser uma crítica negativa acabou se tornando um feedback positivo, pois era (e ainda é) justamente o que eu queria que meus leitores sentissem.
6 - Como é o seu processo de escrita? Você segue uma rotina específica?
Escrevo todas as noites, sem exceção, nem que seja apenas cem palavras. Quando não estou trabalhando na revisão de uma história, inicio outra, às vezes sem nem fazer ideia de onde ela vai dar.
O importante, para mim, é manter as ideias ativas e, simplesmente, escrever.
7 - Qual é o impacto que você espera que suas obras tenham nos leitores?
Quero que meus leitores se identifiquem com o que leem, que sintam estar vivendo minhas histórias como se fossem uma boa (ou má) recordação da própria vida.
Quero ser um dos responsáveis por trazer mais leitores para os gêneros de suspense e terror brasileiros. Sei que já temos um público bem bacana, mas há espaço para muito mais — sempre tem, não é?!
8 - Quais são seus planos para o futuro? Você está trabalhando em algum novo projeto?
Tenho um romance de suspense em andamento, com a mesma pegada de Crianças não brincam no escuro. Mesma cidade, mesma época, mas personagens diferentes e uma trama que, pode apostar, vai deixar marcas.
Gostaria de deixar algum recado para os leitores do Lost Words, e para seus futuros leitores?
Leiam autores nacionais! Temos muitos que merecem atenção.
Inclusive, podem começar com Crianças não brincam no escuro. Conheçam a Mirantes da Serra dos anos 2000, no Agreste pernambucano. Lá, as coisas acontecem de repente: sejam boas, como um primeiro beijo, ou ruins, como uma pedrada na boca. O importante é sempre lembrar de acender as luzes.
Depois disso, ficarão felizes em saber que há mais por vir.
Sobre sua(s) obra(s):
Sinopse: Em 1997, seis amigos se reúnem para viver a inesquecível experiência do tão sonhado primeiro beijo — mas não é só disso que irão se lembrar. Na mesma época, um garotinho é atormentado por um dentista aposentado que o marcará para sempre. Um professor, assombrado pelo bullying que sofreu nos tempos de escola, não parece ter superado seus traumas. Já um eterno apaixonado descobre que mal-entendidos podem custar caro demais. E, no Natal de 2004, um pai aprenderá que algumas decepções familiares não são fáceis de perdoar.
Em Crianças não brincam no escuro, a nostalgia e o medo perambulam por aí de mãos dadas, como se nada pudesse dar errado. Quatorze narrativas de suspense e terror, ambientadas em uma pequena cidade do agreste pernambucano e em seus arredores, mostram que, às vezes, nem mesmo as boas escolhas levam a finais felizes. - Compre aqui!
Sobre o(a) autor(a):
David Brito é pernambucano e escreve com o sotaque, o humor e as desconfianças do lugar de onde vem. Sua escrita mistura nostalgia e medo, riso e agonia, lembrança e invenção.
Autor de diversos textos publicados em antologias de contos e revistas de ficção, nasceu em junho de 1992 e é apaixonado pelo cinema de suspense e terror desde que se entende por gente. Leitor dedicado desses gêneros desde a adolescência, tem em Stephen King seu autor favorito — e Crianças não brincam no escuro, seu primeiro livro publicado, reflete bem essa influência.
Beijos!



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