ENTREVISTA COM AUTORES #88 | Autor Hugo L. I. Cukurs

by - terça-feira, agosto 18, 2020


1 - Como você percebeu que queria ser escritor(a)?
Eu sempre fui um "nerd" fã de cinema, séries e leitura, sempre amei ler livros de todos os gêneros e quadrinhos/graphic novels em geral. Escrever pra mim era algo meio distante, fora da minha realidade. Eu sou publicitário e sempre trabalhei com criação, mas sempre na parte visual (diretor de arte e designer), até dava meus pitacos nos textos, mas era algo que eu não me arriscava muito. Por outro lado, sempre tive vontade de criar o meu universo fictício, só não sabia como faria isso. Então, um dia eu estava indo para o trabalho ouvindo um podcast do Chris Hardwick (Id10t podcast) que estava entrevistando o Brian Michael Bendis, escritor do Ultimate Spiderman, um dos criadores da Jessica Jones nos quadrinhos, etc. E ele contou um pouco do processo criativo dele durante a entrevista. Isso me fez pensar como eu criaria o meu universo e os meus personagens, isso foi quase como uma epifania. Fiquei com isso na cabeça o dia todo e quando cheguei do trabalho naquele dia, abri um app de anotação no meu celular e comecei à escrever a estrutura da história de Samurais de Fukushima. Nesse dia eu decidi que escreveria um livro. :)

2 - Tem algum personagem favorito? Em modo geral ou do seu(s) livro(s)? Se sim, por quê? O que ele significa para você?
Em modo geral tenho vários... Samwise Gamgee, Uhtred de Bebbanburg e muitos outros, mas o Tyrion Lannister é o melhor na minha opinião. Ele tem muitas camadas e acho que por isso que ele se destaca tanto nas Crônicas de Gelo e Fogo. Ele não é bom, nem ruim, ele é uma pessoal real com valores deturpados por causa de tudo que ele viveu e como foi criado. Acho que pra mim ele representa o mundo real, onde todos nós (ou a maioria) quer ser bom, mas a vida nem sempre nos permite ser o herói, todos nós tomamos em algum momento algumas decisões egoístas.

Pensando em personagens do meu livro, acho o Thorin o mais divertido e o Sato o mais complexo. É fácil gostar do Thorin, ele é fanfarrão, corajoso e atraente, você sabe que pode contar com ele. Já o Sato é um pouco como o Tyrion (tomando as devidas proporções, claro!), já que ele era uma pessoa boa, mas as situações da vida o fizeram tomar decisões contraditórias e que não seriam o ideal para um "honrado" samurai. Você pode não gostar dele no começo, mas você entende o que fez ele ser daquela maneira.

3 - Como foi para você, entrar no mundo literário?
Respondendo como leitor, meus pais me influenciaram muito, sempre tendo livros em casa. Comecei lendo a Coleção Vagalume na escola (O cadáver ouve rádio, A mina de ouro...), como quase todo mundo da minha geração, mas logo depois já estava lendo os livros que os meus pais liam, como Feliz Ano Velho, livros do Jorge Amado, Paulo Coelho, Amyr Klink, etc.

Respondendo como escritor, para ser honesto, foi um pouco frustrante. Sempre soube que a maioria dos brasileiros não têm o hábito da leitura, mas não imaginava que era um nicho tão pequeno. O retorno acaba sendo muito pequeno perto do esforço e dedicação para escrever um livro com qualidade. Entrei nesse mundo graças ao KDP da Amazon, já que não tinha pretensões de achar uma editora para publicar o meu livro. A Amazon oferece uma plataforma que possibilita qualquer um a chance de publicar o seu livro de maneira simples e sem custos (não é jaba! hehehe). Se não existisse essas plataformas, pode ser que eu nunca nem tentasse escrever o meu livro. Agora eu comecei a vender o meu livro impresso com a Bok2, que é uma forma de oferecer o livro impresso com um preço "justo" e sem precisar pagar para publicar. Até recebi depois convites de algumas editoras, que pediam pra comprar 20, 30 livros pra eles começarem a publicar e ganhar quase tudo nas vendas.

4 - Você faz muitas pesquisas antes de escrever uma história?
Eu gosto de pesquisar muito. Para escrever Samurais de Fukushima, fui atrás de muitas referências e pesquisei bastante sobre os samurais, lendo livros e vendo alguns filmes do gênero. Pesquisei sobre Fukushima naquela época (séculos 12-14) para saber sobre cidades, clãs/famílias importantes e até algumas características geográficas. Todas as cidades que menciono no livro, existem ou existiram de verdade.

Estou começando a estruturar a ideia de um segundo livro e começando a pesquisar sobre ele. Mas esse vai ser no futuro e vai se passar aqui em Toronto (onde vivo), então vai ser um pouco mais simples de pesquisar. Talvez eu tenha que me aprofundar mais em tecnologias do que a parte cultural e geográfica.

5 - Existem muitas cobranças por parte de seus leitores?
Todos que leram o livro e me deram algum retorno, sempre me perguntam se terá alguma continuação e brigam comigo por ter matado alguns personagens e não ter matado outro que todos odeiam. Sempre é a mesma coisa: "Por que você matou o(a)...?" e "Queria tanto que o... morresse!". Até penso em escrever um conto sobre um dos personagens, contando o que aconteceu depois com ele, mas não penso em continuação. Desde o começo eu sempre quis fazer algo fechado.

6 - Fale um pouco sobre sua forma de criação... Possui alguma mania na hora de escrever?
Meu processo criativo sempre foi baseado em busca de referências, criação de mind maps, estruturar a informação (personagens, referências, pesquisa e o esqueleto da história) e mãos à obra. Sempre que vou criar algo, seja no trabalho ou escrevendo, começo buscando referências/pesquisando e tomando algumas notas, depois crio um mind map para estruturar a ideia, aprofundando cada personagem até começar a formar um rumo de onde a narração vai partir até onde eu penso que ela deve chegar. Tenho a mania de ficar relendo e reescrevendo tudo. Tem gente que prefere escrever tudo e depois ajustar, eu gosto de ficar relendo por capítulos. Se estiver chato pra eu ler mais de uma ver, tem algo errado pra ajustar. Sem contar que ajuda na revisão e até para resolver algum furo na história. Outro detalhe é que o tempo que eu tinha no metrô, indo e voltando do trabalho, era onde eu conseguia escrever mais. Tinha dia que eu quase perdia a estação de tão focado e empolgado que eu estava. Acho que 90% do livro foi escrito nos metrôs de Toronto.

7 - Quais são seus projetos para um futuro próximo?
Como mencionei antes, tenho uma ideia estruturada para um segundo livro, dessa vez no futuro e se passando aqui em Toronto. Quem vive em São Paulo, vai se identificar bastante, já que as 2 cidades se parecem. Tinha desencanado um pouco de escrever outro livro, mas as ideias têm fluído sem esforço e tem tudo pra ser algo muito legal mesmo. Mas antes eu preciso terminar a versão em inglês de Samurais de Fukushima, que se tudo der certo, termino até o fim do ano. Quero sentir a diferença entre os mercados editoriais, publicando o mesmo livro na língua inglesa.

Gostaria de deixar algum recado para os leitores do Lost Words, e para seus futuros leitores?
O meu recado é: leiam muito! Não importa o gênero, tamanho do livro, se é quadrinhos, literatura clássica, bula de remédio, etc. É a melhor forma de exercitar a imaginação, desenvolver vocabulário, aprender e desenvolver pensamento crítico. Leia 1984 (tudo a ver com o momento atual do país), leia Jorge Amado, Biografias de quem você admira, Marvel, DC, auto-ajuda, erótico, notícias, o que for. Se começarem a falar muito mal de um livro, leia também e forme a sua opinião. Por pior que seja o livro, você nunca vai perder tempo lendo. Sempre vai ter algo para aprender com isso, nem que seja como escolher melhor a sua leitura no futuro ou identificar os gêneros que te interessam ou não. ;)
E claro, leia Samurais de Fukushima - a batalha contra os mortos. Personagens interessantes e complexos, uma cultura diferente e muita ação. Garanto que você vai se divertir com a leitura. Vamos lá, apoie o escritor nacional! :)

Sobre sua obra:


Sinopse: Uma jornada sangrenta onde dois samurais com um passado devastador, um viking, uma gueixa e um grupo de sobreviventes tentam resistir à um apocalipse zumbi. Eles irão cruzar o Japão Feudal, partindo de Fukushima até Niigata em busca de uma última esperança, enfrentando traições, armadilhas mortais, grandes batalhas, muitas perdas e centenas de zumbis.


Sobre o autor:


Hugo L. I. Cukurs é um publicitário vivendo no Canadá com sua mulher e sua filha. Apaixonado por filmes, livros, comics e podcasts, decidiu que era hora de criar sua própria história, após ouvir um podcast com o roteirista de quadrinhos Brian Michael Bendis. Então, juntou sua paixão por histórias fantásticas, com artes marciais, um de seus outros interesses favoritos, para escrever o livro Samurais de Fukushima. O tempo gasto diariamente no seguro e tranquilo metrô de Toronto, ofereceu as condições perfeitas para pensar e desenvolver cada detalhe dos personagens.

Se quiser saber mais sobre o autor, acesse hugocukurs.com ou mande um e-mail para hugocukurs@gmail.com
Siga Samurais de Fukushima no Instagram: https://www.instagram.com/samuraisdefukushima/



Beijos!

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2 comentários

  1. Oi, Aline como vai? Que entrevista boa de ser lida, adorei. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. Gostei dessa entrevista, da maneira como o autor coloca as coisas. As editoras vão falir se continuarem neste pé e já não sinto mais remorso. Tem muita gente escrevendo via Kindle/Amazon e isso só mostra o quanto as editoras estão perdendo. Cada uma daquelas pessoas já foram excluídas por editoras, no mínimo, uma vez na vida e agora elas não precisam mais de editoras. As editoras que se ***** e morram com seu brio de *****

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